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“Meu
nome é Barbara Creft. Há dois anos, fui recrutada para trabalhar
como espiã numa divisão ultra-secreta da CIA, chamada A
Fortaleza. Fui instruída para não falar para ninguém sobre o
que eu fazia, mas não pude esconder do meu noivo. Quando o
diretor da Fortaleza, Trevor Shinter, descobriu, mandou mata-lo.
Então descobri que A Fortaleza não era o que eu pensava. Eu
estava trabalhando para o inimigo que pensava estar combatendo.
Foi quando contatei a verdadeira CIA para tentar destruir a
Fortaleza, trabalhando para o inimigo e contra ele, onde meu único
aliado é meu contato dentro da CIA, um homem chamado Cannon
Harris. Desde então, venho agindo como agente dupla, tentando
destruir as missões da Fortaleza e lutando pela justiça.”
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| ANTERIORMENTE... |
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CAMBOJA...
No Camboja, Barbara e Cannon procuram por um artefato de
Fontanelli, encontrando seu diário escondido em uma catacumba.
–– Cannon, encontrei! – disse ela – É o diário de
Fontanelli! Eu o achei!
LOS ANGELES...
De volta a Los Angeles, onde seu pai lhe fala sobre os
achados no diário do profeta.
–– Pai, precisamos conversar. – disse ela.
–– A CIA analisou o conteúdo do diário de Fontanelli.
– disse Tom.
–– E o que eles encontraram? – perguntou ela.
–– Parece que nele há esquemas para vários de seus
objetos, de como funcionam e desenhos de seus esquemas. – disse
Tom – Há em torno de 20 objetos. Porém, a CIA encontrou algo
estranho.
–– O que, pai? – perguntou Barbara.
–– A página 23 está em branco. – respondeu Tom –
Pelo que sei de Fontanelli, o número 23 é muito importante para
ele. Vários manuscritos dele fazem menção ao número 23. Por
isso, a CIA está preocupada. Querem saber por que a página 23
está em branco.
Mais tarde, ela se encontra com Cannon e com Tom, onde fica
sabendo de mais novidades.
–– O que está havendo? – perguntou Barbara.
–– Shinter vai se encontrar com Antony Garymound, na
Dinamarca, amanhã às 21 horas da noite, horário local. –
disse Tom – Estarei viajando sob disfarce para ver se consigo
descobrir algo sobre a reunião deles.
–– E porque ele vai se encontrar com Garymound? –
perguntou Barbara.
–– Parece que, além de outras coisas, estarão
discutindo sobre Fontanelli. – disse Tom – Quero saber se
Garymound sabe de algo que não sabemos.
–– Procurei nos arquivos da CIA sobre informações de
artefatos de Fontanelli relacionado á pergaminhos, para descobrir
se poderia achar algo para a página 23. – explicou Cannon –
Então, encontrei um relatório sobre uma missão, há 6 anos, do
K-dir. O objetivo era coletar em uma caverna na Etiópia uma solução
dentro de um pequeno vidrinho. Porém, a CIA conseguiu pegar do
K-dir, mas foi obrigada a entregar o líquido para uma organização
secreta de nome desconhecido.
–– Organização secreta? – perguntou ela – Não
estou entendendo.
–– Segundo alguns estudiosos, o líquido contém um
componente que, se passado em pergaminhos legítimos de
Fontanelli, pode revelar o que está escrito em uma página em
branco, uma página escrita com uma tinta invisível. –
continuou explicando Tom – Porém, uma organização secreta da
Igreja Católica achou que esta solução poderia ser desastrosa
se caísse em mãos inimigas. Hoje, a CIA não pretende fazer nada
à respeito da solução, mesmo tendo a localização dela.
–– Mas por que? – perguntou Barbara – Por que a CIA
se recusa a tentar falar com essa organização, ou então roubar
a fórmula deles?
–– Por motivos políticos. – disse Tom.
–– Motivos políticos?
–– A solução está no Vaticano.
CIDADE DO VATICANO...
Cannon e Barbara conseguem se infiltrar no Vaticano e
coletam a solução, voltando à CIA e entregando-a à agência.
COPENHAGUE...
Tom ouvia e gravava á distância a conversa de Shinter com
Garymound.
–– Olá, Sr. Garymound. – falou Shinter,
cumprimentando-o.
–– Olá, Sr. Shinter. – disse Garymound – Há
quanto tempo não nos vemos.
–– Estamos velhos agora. – disse Shinter, sorrindo
– Faz muito tempo.
–– À que devo a honra? – perguntou Garymound.
–– Estou em busca de informações sobre Fontanelli.
– disse Shinter.
–– É interessante. – disse Garymound – Sabia que
seria sobre isso. Tenho algumas informações importantes para você.
Nunca fui tão interessado em Fontanelli como você foi, mas o que
descobri vai lhe deixar pasmo.
Tom ouvia tudo, prestando muita atenção.
LOS ANGELES...
De volta em Los Angeles, Barbara é contatada por Cannon.
–– O que houve? – perguntou ela.
–– Usamos a solução na página 23, que estava em
branco. – falou Cannon – Encontramos um texto, junto de um
desenho. O texto foi traduzido.
–– E o que há nele? – perguntou Barbara.
Cannon tirou a folha do diário do envelope, entregando a
ela.
Ela pegou a folha e abriu-a. Dentro, havia um texto. E, quando ela
viu o desenho ao lado, um frio percolheu-lhe a espinha. Era seu
desenho. Um desenho de seu rosto, idêntico. Ela olhou para
Cannon, assustada.
–– Eles estão chamando de “A Profecia”. – disse
Cannon a Barbara.
–– E o que a Profecia diz?
––
“Esta mulher aqui retratada carregará
uma nova Era. Seus olhares e feitos serão tão fortes e
avassaladores que, quando forem finalizados, sobrará apenas ruína.
Ela reunirá minhas obras e as ligará no dia depois de amanhã.
Iniciar-se-á um novo tempo. Esta mulher terá seu efeito sem
nunca ter visto o sol d’ouro através do Monte Churnaway. Se
esta mulher não for impedida, o maior dos maiores poderes levará
o mundo à sua total devastação.”
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| ACT
ONE |
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Barbara já estava há cerca de uma hora na sala, com os
pulsos amarrados à mesa, sentada em uma cadeira acolchoada.
A mesa branca se estendia comprida à sua frente. Barbara
começava a ficar inquieta. Depois de muito esperar, Barbara se
sentiu aliviada e ao mesmo tempo nervosa quando um agente entrou
pela porta.
–– Srta. Creft? – o agente perguntou.
Ela voltou-se com o olhar, enquanto ele entregava um bolo
de papéis para que ela assinasse no fim.
–– Estes são alguns papéis para assinar, sobre as
perguntas que os agentes que virão lhe farão. – disse o homem
vestido de preto – Você pode ler se quiser.
–– Não tenho nada a esconder. – disse ela, pegando a
caneta que o homem oferecia e assinando com dificuldade devido às
mãos amarradas – Só queria que me fizesse um favor. Pode
lembra-los de que eu vim aqui espontaneamente? Que eu cooperei? Não
preciso dessas algemas.
–– Vou dizer. – disse o agente, saindo pela porta.
Logo, um agente careca e com uma feição inquisitiva
entrou, junto de um outro agente que fumava e uma mulher loira de
cabelos compridos.
Eles sentaram-se à frente dela, e um agente veio e liberou
as algemas do pulso de Barbara.
–– Srta. Creft. – falou o homem careca – Meu nome
é David Connor. Trabalho para uma divisão do FBI. É um prazer
conhece-la.
Barbara apenas sorriu nervosamente.
–– Talvez não nestas circunstâncias. – disse ele
– Então, está de acordo com os termos que acaba de assinar?
Que tudo o que disser aqui foi obtido de um espontâneo interrogatório
sem torturas físicas ou psíquicas e sem pressão de qualquer
modo?
–– Como eu disse, não tenho nada a esconder. – disse
Barbara.
–– Ainda podemos cancelar os papéis que assinou e
prende-la por ameaça à segurança nacional sob as diretrizes da
constituição.
–– Vamos adiante. – disse ela.
–– Certo. – falou Connor – Em todo o tempo, você
estará sob análise, e as perguntas que faremos aqui devem ser as
mais sinceras possíveis.
–– Sr. Connor, com todo o respeito, podemos ir direto
às perguntas? – falou Barbara apressada.
–– Certo. – disse Connor, pegando uma ficha e
abrindo-a, lendo alguma coisa – Bom... então você já é
considerada uma das melhores agentes da CIA. E também da
Fortaleza.
–– Creio que sim. – disse ela – Mas creio que isso
o Sr. já sabia.
Ele sorriu sarcasticamente.
–– Então, como se tornou agente da CIA?
–– Não está na minha ficha? – perguntou ela
retrucando.
–– Quero ouvir em suas palavras. – disse Connor.
–– Certo... – disse ela – Foi através do meu
envolvimento com a Fortaleza.
–– E como foi isso?
–– Bom... – começou ela – Foi tudo tão rápido...
Faz quase três anos. Eu estava na faculdade, quando um homem de
terno se aproximou em mim. Ele me entregou um número de telefone,
dizendo que estava interessado em tratar comigo sobre um emprego,
mas não me deu mais detalhes. Disse apenas que era um emprego
para o governo. Naquela época, eu não estava trabalhando, então
liguei. Foi quando eles me apresentaram a proposta: me tornar espiã.
Voltei para casa e, na verdade, eu não ia aceitar o emprego, eu
estava estudando, era um trabalho que eu não conhecia de jeito
nenhum e a última coisa que eu queria fazer era trabalhar para o
governo. Mas então, comecei a pensar bem... Por que não? Se eu
havia sido escolhida, era porque havia algo em mim... e eu poderia
dar mais emoção em minha vida. Então, eu os procurei novamente
e eles me deram um emprego.
–– Um emprego na Fortaleza? – perguntou Connor.
–– Bem, na verdade não usaram esse termo, disseram que
eram da CIA, foram bem convincentes. – disse Barbara – São
bem convincentes geralmente.
–– E como era seu emprego na Fortaleza?
–– De escritório, a princípio. – disse ela –
Comecei trabalhando como estagiária no banco City Credit Bank, a
fachada do quartel-general da Fortaleza. Depois de um mês, fui
chamada pelos superiores dizendo para que eu acompanhasse um
agente, pois eu estava pronta para o processo de transição. Então,
fui para um elevador privativo, onde cheguei ao andar no meio do
prédio, onde ficava o quartel-general da Fortaleza. Sempre soube
que estava sendo observada, mas o que me surpreendeu foi que, para
chegar na Fortaleza, bastava apenas uma viagem de elevador. Quando
entrei no escritório, vendo aquelas pessoas todas trabalhando, me
senti uma heroína. Senti que estava salvando o mundo, quando na
verdade estava apenas tornando-o pior.
–– Hum... – suspirou Connor, enquanto os agentes
anotavam algumas coisas que ela falava.
–– Bom... – disse ela – No começo eu não estava
entendendo o porque de eu ter sido recrutada, até conhecer o
diretor da Fortaleza. Era Trevor Shinter, um amigo de minha família,
que resolveu me recrutar. O homem que eu quero morto.
–– Shinter? – perguntou Connor, observando-a.
–– É, Shinter. – disse ela.
Connor concordou com a cabeça.
–– E o seu pai? – perguntou Connor – Como ele
reagiu?
–– Na verdade, ele não soube, a princípio. – falou
ela – Foi algum tempo depois, quando eu já era uma agente da
ativa, que Shinter contou ao meu pai.
–– Por que?
–– Porque ele sabia que meu pai não concordaria.
–– Hum... – Connor anotou mais algumas coisas,
voltando a perguntar – E como foi que você se tornou agente da
ativa?
–– Logo depois que conheci Trevor Shinter, meu
treinamento começou. – disse ela – Luta corporal, idiomas
estrangeiros, tiro. Antes disso eu nunca tinha pegado numa arma.
Disseram que eu progredi rápido, e deve ser verdade, porque no
primeiro ano eu já estava em missões de reconhecimento.
–– Impressionante. – disse Connor – Na sua ficha
diz que você tem o QI dos mais altos.
Barbara observou-o, e ele voltou a falar.
–– Como alguém com o seu conhecimento não suspeitou
de nada?
Barbara encarou-o.
–– O que está sugerindo? – perguntou ela.
–– Nada, apenas quero que você me diga...
–– Espera aí! – disse Barbara – Isso foi uma acusação!
Você está sugerindo que eu sabia da verdade o tempo todo e que
continuei trabalhando com os terroristas?
–– Eu não sugeri nada. – disse Connor.
–– Isso foi um questionamento da minha lealdade. –
disse ela – E eu não gosto que questionem minha lealdade.
Connor olhou-a.
–– Acho que é hora de dar um tempo. – disse ele –
Faremos uma breve pausa, e voltaremos em 15 minutos, Srta. Creft.
Barbara encarou-o, enquanto ele saia da sala, deixando-a
presa novamente.
Ela bufou, colocando a mão na cabeça.
|
| ACT
TWO |
|
Tom entrava euforicamente no escritório
de Cannon. Cannon estava conversando com seu amigo Terry sobre
algo que parecia importante. Tom interrompeu, zangado.
–– Onde está minha filha? –
perguntou ele.
–– Sr. Creft, eu... – tentou
dizer Cannon, sendo interrompido.
–– Para onde diabos levaram minha
filha? – perguntou ele.
–– Eu não sei. – disse Cannon
– Precisamos conversar.
Ambos olharam para terry.
–– Tudo bem, eu já estava de saída.
– disse Terry saindo do escritório.
–– Por que entregou minha filha
para o CSN? – perguntou Tom.
–– CSN? O Conselho de Segurança
Nacional? – perguntou Cannon estranhando a pergunta – Eles
eram FBI. Pelo menos foi isso que me disseram.
–– Não, eles não são do FBI.
– disse Tom – São uma divisão sigilosa do CSN.
–– Mas o que o CSN quer com
Barbara? – disse Cannon.
–– Você leu a profecia da página
23? – perguntou Tom.
–– Li, mas não acredito que uma
agência de segurança nacional possa se mobilizar por causa de um
pedaço de papel escrito por um homem que morreu há 500 anos. –
disse Cannon.
–– Então você realmente não
sabe quem são eles. – disse Tom – Eles fazem parte de um braço
do CSN conhecido como C.I.O.
–– C.I.O.? – perguntou Cannon,
não entendendo o significado das siglas.
–– Conselho de Investigações
sobre Ocultismo. – disse Tom – Criado na presidência de
Roosevelt para investigar o interesse dos nazistas pelo ocultismo,
foi mantida como uma divisão do CSN e investiga casos como o de
Barbara.
–– Mas qual é o interesse deles
nela? – perguntou Cannon.
–– O C.I.O. acredita nas
profecias de Fontanelli. – disse Tom – Eles considerarão o
caso dela como ameaça à segurança nacional. Estão com ela em
algum lugar, provavelmente interrogando-a, mas depois com certeza
a prenderão, e depois não teremos mais acesso à ela.
–– O que está sugerindo? –
perguntou Cannon.
–– Que resgatemos minha filha.
– disse Tom – Que de algum modo descubramos onde ela está e a
resgatemos antes que ela seja transferida para uma prisão, onde
será inatingível.
–– Como faremos isso? –
perguntou Cannon.
–– Não podemos contar com a CIA.
– disse Tom – Fale com seus contatos. Preciso analisar algo
que eu descobri.
–– Algo importante? – perguntou
Cannon.
–– Algo que ouvi em Copenhague.
Barbara estava cansada, quando Connor
entrou novamente.
–– Srta. Creft, presumo que agora
possamos continuar. – disse ele, sentando-se, seguido dos
agentes.
–– O mais rápido possível. –
disse ela – Quero ir para casa.
–– Certo. – disse Connor –
Então... antes de eu sair falávamos sobre o seu pai. O que tem a
dizer sobre ele?
–– Bem... – disse ela – Meu
pai e eu nunca fomos muito próximos. Foi só recentemente que
começamos a melhorar nossa relação.
–– E por que esse afastamento?
– perguntou ele.
–– Desde que minha mãe morreu,
quando eu era pequena, meu pai mergulhou no trabalho. – disse
ela – Acho que a morte dela foi algo que ele nunca superou.
–– O que sabe sobre sua mãe? –
perguntou ele.
–– Bem... – disse Barbara –
Ela era professora, mãe e esposa exemplar, uma ótima pessoa.
Morreu em um acidente de carro, quando um homem bêbado derrubou o
caro da minha mãe num rio. O carro explodiu. Mas por que quer
saber sobre minha mãe?
–– Parece que seu pai tornou-se
uma pessoa diferente depois da morte dela. – disse Connor.
–– Como eu disse, ele nunca
superou a morte dela. – disse Barbara – Acho que foi demais
para ele. Depois que ela morreu, ele me deixou com babás, até
que comecei a me virar sozinha. Por muito tempo, não nos falamos,
até recentemente.
–– Hum... – suspirou Connor –
Pai e filha, agentes-duplos... É interessante, não é?
Barbara encarou-o, sem entender o
teor da pergunta.
–– O que quer dizer? –
perguntou ela.
–– Seu pai sempre foi leal à
CIA? – perguntou Connor – A amizade dele com Shinter nunca fez
diferença em sua lealdade?
–– Espere aí! – disse Barbara
– Agora já é demais! Primeiro você me insultou, dizendo que
eu tinha conhecimento de que a Fortaleza era uma célula
terrorista!
–– Srta. Creft, acalme-se, foi
apenas uma pergunta!
–– Uma pergunta absurda! –
gritou ela – Sem mencionar que você está questionando meu pai,
questionando a minha lealdade e a minha honra!
–– Acho que é hora de outra
parada. – disse Connor.
–– Nada disso! – gritou Barbara
– Sente-se aí! Quero terminar isso logo! Quero ir para casa!
Os agentes levantaram-se e foram
embora, apesar de seus protestos.
–– Quero ir embora! – protestou
ela – Esperem! Droga...
|
| ACT
THREE |
|
Tom analisava a conversa gravada em Copenhague.
–– Olá, Sr. Garymound.
–– Olá, Sr. Shinter.
Tom prestava bem atenção na conversa.
–– Estamos velhos agora. Faz muito tempo.
Tom não entendia como Shinter poderia saber, mas sabia que
ele poderia representar um risco à sua filha. Na gravação, a
conversa continuava.
––
Nunca fui tão interessado em Fontanelli como você foi, mas o que
descobri vai lhe deixar pasmo. A última vez que me consultou foi
sobre a Profecia, certo?
–– Exatamente. –
respondeu Shinter na gravação – O que você conseguiu
descobrir sobre ela?
–– Fontanelli cita algo estranho nos últimos versos de
seu texto. –
disse Garymound – “Esta mulher terá seu efeito sem nunca
ter visto o sol d’ouro através do Monte Churnaway.”
Foi então que Tom percebeu que ali estava a solução do
problema.
Connor e os agentes entraram novamente pela porta.
–– Srta. Creft, temos algumas perguntas para você
antes de encerrarmos. – disse Connor, sentando-se.
–– Não acredito que me algemaram de novo. – disse
ela, apontando para as algemas.
–– Sinto muito, Srta. Creft, mas agora você é
considerada uma ameaça à segurança nacional sob as diretrizes
da constituição. – disse Connor.
–– O que? – perguntou ela, inconformada – Como é?
–– Por favor, responda às perguntas. – disse Connor.
–– E o que mais quer saber? – perguntou ela.
–– Fale mais sobre o seu trabalho na Fortaleza. –
disse ela.
–– O que, exatamente? – perguntou ela – Por que já
lhe falei tudo.
–– Fale sobre seu disfarce na Fortaleza. – disse
Connor – Soube que você tem um parceiro. Nick
Worm, certo?
–– Exato. – disse ela – Nick é um bom homem. Devo
muito do que aprendi a ele. Quando o conheci, ele foi meu
instrutor. Logo, tornamo-nos parceiros. Depois, costumávamos
trabalhar num time, mas os agentes foram assassinados em uma missão
em Taipei.
–– E isso, do seu parceiro, nunca causou problemas? –
perguntou Connor – Ele não sabe que você é agente-dupla,
certo?
–– Nick Worm não faz nem idéia de para quem trabalha.
– disse ela – Algumas vezes, em umas missões, Nick causou
problemas sim, mas nada com a qual eu não pudesse lidar.
–– Dê um exemplo. – disse Connor.
–– Na minha primeira missão como agente-dupla, eu
precisava entregar um disquete que roubei para a CIA antes de
entrega-lo à Fortaleza. Para isso, no aeroporto, eu entreguei os
disquetes paras meu contato Cannon, disfarçado de faxineiro, ele
copiou os disquetes e me entregou na calçada, tudo isso sem meu
parceiro saber.
–– Qual é sua relação com seu contato? – perguntou
Connor.
–– Acho que não entendi a pergunta. – disse Barbara.
–– Vocês tem algum envolvimento? – perguntou Connor.
–– Nosso relacionamento é estritamente profissional.
– disse ela, contrariada pela pergunta – Além disso, a CIA
proíbe relações amorosas entre agentes.
–– Entendo. – disse Connor – Fale-me sobre Steven
Hunk.
Barbara encarou-o e, um pouco emocionada, começou a falar.
–– Steven era o meu noivo. – disse ela – Suponho
que queira saber sobre as circunstâncias da sua morte.
Connor não respondeu. Então ela continuou.
–– Steven me pediu em casamento. – disse ela – Então,
não achei justo esconder dele o meu trabalho, e, mesmo
contrariando as regras da Fortaleza, eu contei a verdade. Então,
enquanto eu estava em uma missão em Taipei, eles o mataram. Foi
então que descobri a verdade, quando meu pai me contou: que a
Fortaleza não era parte da CIA, e sim parte da aliança
terrorista conhecida como Aliança dos Mercenários.
Connor anotou algumas coisas, depois tornou a falar com
Barbara.
–– Qual é a prioridade da Fortaleza?
–– Atualmente, Fontanelli. – respondeu Barbara.
–– E o que sabe sobre ele? – perguntou Connor –
Fale-me sobre ele.
–– Antonio Fontanelli, profeta e filósofo do século
XV, foi um importante arquiteto e matemático, mas suas obras eram
à frente de sua época. Foi também um visionário, acreditam
alguns. Suas obras eram marcadas com um símbolo, que impedia
falsificações. Hoje, há uma ordem de seguidores, conhecida como
a Magnífica Ordem de Fontanelli. São pessoas incumbidas de
proteger suas obras. Fontanelli foi um homem muito inteligente, e
sua inteligência foi tachada de insanidade. Passou os últimos
dias num manicômio, e o estopim para sua morte foi a sua última
declaração: de que um dia a ciência nos permitiria conhecer
Deus. Foi morto pelos inquisidores, e suas obras foram vendidas à
ninharia para desacreditar seu trabalho. Depois, seu laboratório
foi incendiado e o que restou de suas obras espalhadas pelo mundo.
É tudo o que sei.
–– Certo. – disse Connor – Só tenho mais uma
pergunta: você acredita nele? Acredita em sua profecia?
–– E vocês? – perguntou ela – Não vão me
liberar, não é?
–– Na verdade, não. – disse Connor – Temos alguns
exames para fazer antes.
–– Exames? – não entendeu Barbara – Como assim,
exames?
–– Ressonância magnética, hemograma, raio X. –
disse Connor.
–– Mas para que isso? – perguntou ela, enquanto um
dos agentes desamarrava suas algemas.
–– Não faça perguntas, agente Creft, apenas me
acompanhe. – disse Connor, já na porta do lugar.
–– Espera aí! – disse ela – Passei por quase 4
horas de interrogatório, e agora vocês querem me fazer exames
sem mesmo me dizer do que se tratam? Quero saber agora por que vou
fazer esses exames, ou não sairei desta sala nem arrastada.
Connor observou-a.
–– No pergaminho da página 23, Fontanelli escondeu nas
bordas algumas informações sobre a mulher do desenho, algo que
poderia confirmar a identidade dela. – explicou Connor – São
três anomalias: a seqüência genética, o número de leucócitos
no sangue e o tamanho do coração.
Barbara olhou-o.
–– Não sei por que levar tão à sério a profecia de
um maluco que viveu há 500 anos atrás. – disse ela – Mas eu
não sou a pessoa que vocês procuram.
––
Isto saberemos em breve. – disse Connor.
Tom voltava à CIA, contatando Cannon.
–– Já sei o que fazer. – disse ele, entrando no
escritório de Cannon.
–– Eu já contatei os homens, temos um grupo para extração
em 2 horas. – disse Cannon – Mas como vamos saber onde ela está?
–– Eu tenho alguns privilégios como agente sênior da
CIA. – disse Tom – Fui obrigado a acessar ilegalmente os
arquivos de transição da CIA com o CSN, e descobri que Barbara
está em uma casa segura da CIA há duas quadras daqui, mas que
será transferida em 1 hora para o Camp Harris, onde será impossível
acessar.
–– Então vou ter que adiantar os rapazes. – disse
Cannon – Mas o que faremos depois de pega-la?
–– Em Copenhague, fiquei sabendo que Shinter sabia, de
algum jeito, sobre a Profecia, só não sabia que era a mesma da página
23. – disse Tom – Ele ficou sabendo sobre o diário de
Fontanelli e contatou Garymound para mais informações.
–– Mas como Shinter poderia saber? – perguntou
Cannon.
–– Não faço a mínima idéia. – disse Tom – Mas
ele sabe, e também sabe que é sobre minha filha. Garymound
citou, porém, um trecho da Profecia, que me intrigou. “Esta
mulher terá seu efeito sem nunca ter visto o sol d’ouro através
do Monte Churnaway. Se esta mulher não for impedida, o maior dos
maiores poderes levará o mundo à sua total devastação”.
Se o CSN for levar realmente ao pé da letra do que Fontanelli
escreveu, então significa que a mulher da qual estão falando só
terá tido o efeito se não estiver no Monte Churnaway.
–– Este é o lugar em que Fontanelli nasceu, certo? –
perguntou Cannon.
–– Exato. – falou Tom – O lugar que Barbara tem que
ir para não ser presa.
–– Ela não pode ser presa de qualquer maneira. –
disse Cannon – Isso estragaria seu disfarce na Fortaleza.
–– Enquanto Shinter estiver fora, isso não acarretará
em nada. – disse Tom – Mas precisamos ser breves. Barbara tem
que ir ao Monte Churnaway o mais breve possível.
–– Então, ela irá para a Itália. – completou
Cannon.
|
| ACT
FOUR |
|
Barbara já estava cansada de esperar, sentada na cadeira,
quando Connor voltou com os resultados do exame.
–– Srta. Creft, você será escoltada de acordo com a
lei até o campo de detenção Camp Harris, onde ficará sob custódia
do CSN até segunda ordem do superior da agência. – anunciou
ele.
–– Sob qual acusação? – perguntou ela,
levantando-se nervosa.
–– Ameaça à segurança da nação. – disse Connor.
Os agentes a algemaram e começaram a leva-la para fora da
sala.
–– Espere! – disse ela, parando – Primeiro, me
diga: se está me prendendo, os resultados bateram, não é? Não
é?
Connor olhou-a antes de dar o resultado final.
–– Os três. – disse ele – Os três confirmaram.
Barbara deu um último olhar para ele, enquanto era levada
para fora da sala pelos oficiais.
Foi escoltada até o lado de fora, onde foi colocada em um
furgão preto. Antes mesmo que pudesse entrar na parte de trás,
uma van, também negra, encostou ao lado, e cinco homens armados e
mascarados desceram e renderam os agentes.
–– Para o chão, para o chão! – eles gritavam.
–– Você, venha conosco! – disse um dos agentes para
Barbara.
Ela obedeceu, sendo levada para o fundo da van, que fechou
as portas.
–– Sente-se. – disse um dos agentes, retirando a máscara,
revelando ser Cannon.
–– Cannon! – disse Barbara – O que diabos está
fazendo!
–– Calma, querida. – disse a voz vindo do volante –
Vai ficar tudo bem.
–– Papai! – falou ela, reconhecendo.
–– Olá. – respondeu ele.
–– Por que estão fazendo isso? – perguntou Barbara
– Estão querendo ser presos?
–– O único jeito de fazer com que esta perseguição
pare é cancelando a profecia. – disse Tom.
–– Mas como? – perguntou Barbara.
–– Fontanelli cita na própria profecia. – explicou
Cannon – Ele diz que a mulher na profecia nunca teria visto o
Monte Churnaway. Por isso, se você chegar até ele, não poderá
ser a mesma da Profecia.
–– Cannon, eles fizeram exames em mim. – disse ela
– Eles confirmaram três anomalias citadas por Fontanelli no
pergaminho.
–– Isso não importa, Barbara. – disse Tom –
Podemos quebrar a profecia. Você irá para a Itália. Te
deixaremos nas docas, onde há um Chevette dourado te esperando.
Dirija até o porto, onde um navio estará indo para a Itália.
–– Aqui está seu disfarce. – disse Cannon,
entregando a ela uma peruca curta e castanha, com uma roupa azul e
um óculos escuros. Boa-sorte.
Neste momento, a van parou.
–– Chegamos, querida. – disse Tom.
Todos desceram do carro.
–– Pai, obrigada. – disse ela, abraçando-o.
–– Boa-sorte, querida. – falou ele.
Barbara correu até o carro, ligou-o e foi embora, enquanto
Tom observava à distância e com o coração apertado sua filha
fugir.
THE SPIES.
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