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Barbara chegava eufórica no galpão onde deveria se
encontrar com Cannon.
–– O que houve? – perguntou ela – Alguma notícia
do meu pai?
–– Ainda não, Barbara. – disse ele.
–– Então o que houve? – perguntou ela.
–– Vasculhamos o laboratório onde estava o Projeto
Azul. – disse Cannon – Nos infiltramos com a equipe de limpeza
do local, que estava colhendo e testando a água.
–– E? – perguntou Barbara, esperando uma notícia.
–– Nada. – respondeu Cannon.
–– Então, qual a relevância disso? – perguntou
Barbara.
–– Descobrimos que houve algumas vítimas, mas parece
que o seu pai não está entre elas. – respondeu Cannon.
–– Então, onde ele está? – perguntou Barbara,
irritada.
–– Não sabemos ainda. – disse Cannon – Mas acho
que o seu pai pode ter sido levado para outro lugar por Karrigan.
–– Karrigan? – perguntou Barbara – Mas Karrigan
estava trabalhando com a minha mãe. Então, meu pai está com a
minha mãe?!
–– Não exatamente. – disse Cannon – Desde o seu
encontro com ela, sua mãe desapareceu. Parece que Karrigan e o
Dr. Shun já a consideram fora da ativa.
–– Fora da ativa? – surpreendeu-se Barbara – Isso
está muito estranho. E o que vocês descobriram sobre a Nemesis?
–– Absolutamente, nada. – respondeu Cannon – A CIA
não tem nenhum arquivo relacionado à Nemesis.
–– Então, como vamos descobrir onde está meu pai? –
perguntou Barbara.
–– Por enquanto, não há como fazer nada. – disse
Cannon – Mas estamos monitorando todos os passos de David
Karrigan.
Barbara abaixou a cabeça.
–– Só queria te dizer que vai terminar tudo bem. –
disse Cannon – Vamos encontrar o seu pai.
Barbara voltou o olhar para Cannon, e sorriu.
–– Eu sei. – disse ela – Obrigada.
Cannon também sorriu.
De volta em casa, Barbara encontrou com sua amiga July, que
falava ao telefone, entusiasmada. Assim que desligou, saltou de
felicidade.
–– O que foi, July? – perguntou Barbara, sorrindo.
–– Eu consegui! – disse ela – Lembra que eu tinha
comentado sobre a idéia de abrir meu próprio negócio?
–– Claro que eu lembro. – respondeu Barbara.
–– Eu consegui a licença! – gritou July feliz e
entusiasmada – vou poder usar o prédio que eu encontrei como
salão de cabeleireiros. Finalmente, depois de todo esse esforço.
July correu e abraçou a amiga. O ombro de Barbara doeu, e
ela se afastou.
–– O que foi, querida, o que fez no ombro? –
perguntou July, se afastando.
–– Nada. – disse Barbara, tornando a sorrir – Foi só
uma queda.
July sorriu.
–– Estou feliz por você, July. – disse Barbara.
–– Obrigada. – respondeu July – Como foi a viagem?
–– Cansativa. – disse Barbara – O que quero agora
é ir para a banheira, relaxar e depois ir dormir. Se é que vou
conseguir.
–– Algum problema? – perguntou July.
–– Não, nada. – disse Barbara – Apenas um cliente
que está com um problema de desaparecimento.
–– Entendo. – disse July.
No dia seguinte, Barbara foi encontrar-se com Cannon no
galpão abandonado para receber novas instruções.
–– Olá, Cannon. – disse ela, entrando no local.
–– Como está o seu ombro? – perguntou ele.
–– Melhor. Ainda está dolorido, mas vai sarar. –
disse ela – Então, porque estamos aqui?
–– Hoje é o seu dia de volta de trabalho da Fortaleza.
– disse ele – Temos que lembrar que Shinter mantinha um certo
acordo com David Karrigan, que acabou quando o Projeto Azul foi
destruído.
–– Acha que Shinter pode estar a par da minha situação
de agente dupla? – perguntou ela.
–– Eu não creio. – disse Cannon – A CIA considera
esse um risco nulo, pois Karrigan não contaria sobre sua
identidade sem mencionar suas fontes, ou seja, sem expor sua mãe.
–– Então estou livre de suspeitas? – perguntou ela.
–– A CIA diz que sim. – disse Cannon – Mesmo
porque, se Shinter já soubesse sobre você, não esperaria tanto
tempo para agir.
–– Entendo. – disse Barbara – Shinter tem uma reunião
hoje. Não sei se será sobre alguma coisa importante, mas o
manterei informado.
–– Certo. – disse Cannon.
PRÉDIO DO CITY CREDIT BANK
Barbara entrava novamente no prédio do banco, fachada para
a base operacional da Fortaleza. Entrou no elevador privativo e
logo estava na sala de reconhecimento. Ao passar por ela, logo
encontrou seu parceiro Nick Worm, que estava sentado em sua mesa
na sala do escritório.
–– Olá, Barbara. – disse ele, cumprimentando-a
quando a viu – Como você está?
–– Bem. – disse ela, sorrindo – Eu estava
precisando de um descanso.
–– Ótimo. – disse Nick, sorrindo.
Quando Barbara seguia reto em direção de sua mesa, porém,
esbarrou o ombro em Nick, parando por alguns instantes e disfarçando
a dor.
––
Algum problema? – Nick perguntou, notando algo estranho.
–– Não. – disse Barbara – Apenas um ferimento leve
no ombro.
Barbara foi em direção de sua mesa, enquanto observava
Shinter ao telefone em seu escritório. Depois de sentar-se e dar
uma olhada no conteúdo das anotações de sua pasta, uma moça
veio em direção à Barbara.
–– Srta. Creft, Sr. Shinter deseja vê-la. – disse a
moça.
Barbara deu uma olhada para Shinter, antes de voltar o
olhar para a mulher e responder.
–– Já estou indo. – disse ela.
Shinter estava metido em seus próprios pensamentos, quando
Barbara abriu a porta do escritório.
–– Queria falar comigo? – perguntou ela, friamente.
–– Como foi a viagem? – perguntou Shinter, voltando o
olhar para Barbara.
–– Boa. – disse ela – É sempre bom ir ao deserto,
ficar sozinha.
–– Sei. – disse Shinter.
–– O que queria comigo? – perguntou Barbara.
–– É sobre Amy. – disse Shinter – Ela queria muito
vê-la. Está solitária.
–– Mesmo? – perguntou Barbara, mais preocupada – E
a quimioterapia?
–– Começou ontem. – disse Shinter – Ela está
arrasada.
–– Eu posso ir vê-la amanhã de manhã, se ela estiver
melhor. – disse Barbara.
–– Claro. – disse Shinter – Ela estará aguardando.
Barbara sorriu, enquanto ia saindo pela porta.
–– E seu pai? – perguntou Shinter, fazendo-a parar.
–– Está viajando. – disse Barbara – Ele não me
disse quando volta.
–– Entendo. – disse Shinter – Teremos uma reunião
logo mais, a respeito da sua última missão na França.
Aconteceram algumas coisas que precisamos discutir.Temos uma nova
missão para você e Nick.
Barbara pensou sobre a frase de Shinter, temendo o que ele
pudesse ter descoberto. Então, olhou para ele e voltou a falar.
–– Certo. Nos vemos mais tarde.
Mais tarde, Barbara estava em um restaurante ao ar livre,
quando, na mesa ao lado da sua, Cannon se sentou. Estava usando óculos
escuros e fingia ler um jornal.
–– Olá. – disse ele – Como você está?
–– Bem. – respondeu ela – Alguma notícia do meu
pai?
–– Infelizmente, não. – disse Cannon, triste por não
poder dar notícia melhor – Por que me contatou?
–– É Shinter. – disse ela, levando a xícara de café
entre suas mãos à boca – Ele marcou uma reunião hoje á
tarde. Irá discutir sobre a missão em Paris, e sobre os
acontecimentos após ela. Me disse que vou embarcar em uma nova
missão. Acha que ele pode ter descoberto algo?
–– Não acredito. – disse Cannon – A CIA confirma
que não houve comprometimento de identidade e vazamento de
informações.
–– Então, como Karrigan descobriu que eu era da CIA em
Paris? – perguntou Barbara.
–– Karrigan não invadiu nosso servidor, invadiu o da
Fortaleza. – respondeu Cannon – E, como ele acredita que a
Fortaleza é um braço da CIA, acredita que você trabalhe para a
CIA. Sua identidade de agente-dupla não foi comprometida.
–– Então, porque Shinter falou daquela forma? –
perguntou Barbara – Até perguntou do meu pai.
–– Não sei. – respondeu Cannon – Mas se ele
tivesse alguma suspeita sobre você, não a mandaria à nenhuma
missão. O que ele perguntou sobre seu pai?
–– Queria saber sobre ele, onde estava.
–– Você seguiu nosso protocolo?
–– Claro. – respondeu Barbara – Não há riscos de
possíveis gravações dessa conversa.
–– Absolutamente nenhuma. – disse Cannon – Esse é
um restaurante seguro da CIA. Há bloqueio de escutas. Estamos
sendo monitorados. Mas por que essa preocupação agora?
–– Cannon, preciso encontrar o meu pai. – disse ela
– Não quero que Shinter saiba de forma nenhuma que ele está
desaparecido, ou isso comprometeria o disfarce dele. Precisamos
encontra-lo o mais rápido possível.
–– Não se preocupe, Barbara. – tranqüilizou-a
Cannon – Vamos encontra-lo o mais rápido possível, você vai
ver.
Ela voltou os olhos para o seu contato, e sorriu. Ele
sorriu de volta.
–– Obrigado pela força, Cannon. – disse Barbara.
Ele sorriu.
PRÉDIO DO CITY CREDIT BANK
Barbara entrava e sentava-se ao lado de seu parceiro, Nick,
enquanto Shinter começava o discurso para a próxima missão.
–– Chamei os dois aqui para deixa-los a par do que se
sucedeu após a missão na França. – disse Shinter – Bem, após
escutarmos a conversa de Yang Shun com David Karrigan, descobrimos
que o Projeto Azul estava para ser testado em Taipei. Porém,
alguns dias depois, descobri que alguém da equipe do Sr. Karrigan
havia entrado em meu cofre pessoal e roubado informações que havíamos
adquirido sobre o Projeto Azul. Quando enviamos uma equipe para
Taipei, David Karrigan prontamente mandou destruírem o Projeto
Azul antes mesmo que pudéssemos encontra-lo. Com a explosão, a
parte inferior do prédio inundou. Até agora, Yang Shun foi dado
como desaparecido. Com isso, Karrigan se torna nosso alvo número
1.
–– E você já tem alguma idéia do que se tratava o
Projeto Azul? – perguntou Nick.
–– Ainda não. – respondeu Shinter – Mas parece que
Karrigan marcou um encontro com alguns cientistas amanhã em
Barcelona, e parece que estes cientistas analisaram algumas
pessoas afetadas pela água. Poderíamos descobrir alguma coisa.
–– Pessoas afetadas pela água? – perguntou Barbara
surpresa com a notícia.
–– Exato. – disse Shinter – Parece que quando houve
a destruição do Projeto Azul algumas pessoas foram afetadas.
–– E por que eles destruiriam o próprio projeto e
ainda deixariam expostos seus próprios agentes? – perguntou
Nick.
–– Não se sabe. – disse Shinter meio confuso – O
que é fato é que vocês dois se infiltrarão na festa em
Barcelona para descobrir mais. A missão está sendo revista pela
equipe de segurança. Vocês têm até as 6 horas da tarde de
amanhã para revê-la. Eu não estarei presente. Fui convocado
para uma reunião com o alto-escalão da CIA, portanto, boa-sorte
aos dois.
Nick e Barbara agradeceram e foram saindo da sala.
–– Barbara... – chamou Shinter, quando Nick já tinha
saído – Você irá visitar Amy amanhã pela manhã?
–– Claro. – respondeu Barbara.
Barbara apertava a campainha da casa de Shinter. No dia
anterior tinha prometido a Shinter que visitaria Amy. Na verdade,
não estava fazendo isso por Shinter, mas sim por Amy, que apesar
de estar casada com o homem cruel que Shinter era, sempre havia
sido uma ótima pessoa para Barbara, principalmente após a
“morte” de sua mãe.
Após esperar um longo tempo, Barbara viu a porta ser
entreaberta por Amy.
–– Barbara! – exclamou ela – Fico feliz que tenha
vindo.
–– Como vai? – perguntou Barbara, abarcando Amy.
–– Melhor. – disse ela.
As duas entraram para conversar. Logo, estavam no jardim de
inverno, o local preferido de Amy, onde as duas sentaram-se em um
pequeno sofá confortável e começaram a conversar.
–– Estou feliz que tenha vindo me ver. – disse Amy
– Eu estava mesmo sentindo sua falta.
Barbara sorriu.
–– Eu ando meio ocupada. – disse Barbara – Mas aqui
estou eu.
Amy também sorriu.
–– É, eu sei. – disse Amy – É difícil trabalhar
com meu marido. Aposto que ele lhe deve muitos dias de folga.
–– Pelo menos um mês. – disse Barbara, sorrindo,
mudando de assunto logo em seguida – E você, como está?
–– Melhor. – disse Amy – Achei bom que Trevor não
tivesse me contado na hora. Ele esperou pelo momento certo.
––
Fico feliz que esteja bem. – disse Barbara.
–– Eu ando bem. – disse Amy – Mas de repente, eu me
sinto tão mal. As dores... se eu tivesse me preocupado com elas
antes... talvez eu não estivesse assim. Às vezes eu me sinto tão
bem, e de repente sinto como se eu estivesse com todo o corpo
comprimido. Deve ser duro para o Trevor. Sei que foi ele que pediu
para que você viesse. É difícil para ele, ainda mais com o
trabalho dele.
Barbara estranhou a repentina colocação de Amy à
respeito do trabalho.
–– A verdade é, que, por mais que seja duro, não
estarei viva para o próximo Natal. – suspirou Amy.
–– Não fale assim. – disse Barbara, segurando na mão
de Amy – Você tem que pensar positivo. Todos estão pensando
positivo.
–– Eu não quero criar esperanças falsas no meu
marido. – disse Amy – Sei como é difícil para ele. Sei que
é difícil trabalhar com ele, Barbara, mas tente ser
compreensiva. Ele está passando por uma fase difícil.
–– Claro. – disse Barbara.
–– Eu falo sério. – disse Amy – O trabalho, na
Fortaleza, tem tomado todo o tempo dele.
De repente, Barbara olhou para Amy com muita surpresa.
–– Não se assuste. – disse ela – Eu sei. Há muito
tempo.
–– Quando Trevor lhe contou? – perguntou Barbara.
–– Ele não contou. – disse Amy – Eu percebi. Ouvi
muitas conversas. Depois juntei as coisas e percebi que ele nunca
tinha realmente deixado a CIA. Percebi que ele nunca tinha deixado
o mundo da inteligência.
Barbara sorriu, fingindo certa tranqüilidade.
–– É um trabalho importante para ele. – disse Amy
– E, apesar dele não saber que eu sei, eu o apóio. Ele ama o
que faz.
–– Amy, sinto muito, eu tenho que ir. – disse
Barbara.
Amy estranhou a atitude repentina de Barbara.
–– É o trabalho.
–– Entendo. – disse Amy.
Barbara sorriu e deu um grande abraço em Amy.
–– Fique bem. – disse Barbara – Vai dar tudo certo.
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