| ACT
ONE |
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Uma porta vermelha. Um pequeno corredor estreito. De
repente, a porta se abriu. Uma mulher vestida com uma sexy
lingerie vermelha, usando uma cinta-liga e saltos altos. Um
chicote estava sobre uma das mãos dela. Ela bateu ligeiramente o
chicote, caminhando pelo corredor e parando um pouco mais para
frente, recostando-se na parede.
Esta mulher era Barbara.
À frente, um homem estava deitado na cama, com uma taça
de vinho na mão e um pedaço de camarão na outra.
Barbara o encarou quando ele a olhou de cima para baixo.
–– Nada mal. – disse ele.
Havia também dois guardas junto do homem. Este se
levantou, sentando-se na cama redonda vermelha.
–– Podem sair. – disse ele para os dois seguranças,
que saíram pela porta.
Barbara caminhou em direção da janela circular, olhando
para fora. Toda a cidade era vista daquela janela: Barbara estava
em um grande avião, que voava rapidamente entre as nuvens.
O homem trancou a porta vermelha, virando-se para Barbara,
que deu um sorriso.
Ele sentou-se na cama, enquanto Barbara sentava-se sobre
ele.
–– Venha cá, queridinha... – disse ele, abraçando-a,
enquanto deitava-se na cama e Barbara ficava sobre ele – Me dê
um pouco de mel...
Barbara o fez deitar completamente, tirando de dentro do
sapato uma pequena corrente. De repente, ela virou-o de bruços,
segurando sua corrente contra o pescoço do homem, que parecia sem
fôlego.
–– Qual é o problema de homens como você? – disse
ela, apertando a corrente – Tratando as mulheres assim!
–– Va-vadia... – o homem balbuciou.
Barbara deu uma pesada cotovelada no rosto dele, mas ele
continuou acordado.
–– Você acha que é confortável? – perguntou ela,
com os dentes cerrados – Acha que é confortável usar roupas
assim?
O homem estendeu a mão, ativando um botão na cômoda ao
lado da cama.
–– Não seja idiota, eu não sou uma novata. – disse
ela, que continuava segurando o homem com a corrente – Eu
desativei o seu botão.
O homem começou a babar pela falta de ar.
–– Eu sei quem você é... – disse Barbara – Sei o
que este avião é...
O homem tentava se soltar.
–– Como faço para acessar o servidor 23? – perguntou
ela com raiva.
–– Vá pro inferno! – falou o homem.
Barbara deu outra cotovelada no rosto dele, e seu nariz
começou a escorrer em sangue.
–– Como eu acesso o servidor 23? – perguntou ela,
irritada, forçando mais a corda.
O homem, quase sem respirar, finalmente balbuciou.
–– Há... – disse ele – Há um terminal atrás do
quadro perto do espelho.
Barbara levantou-se, batendo com a cabeça do homem na cômoda.
Ele desmaiou instantaneamente.
–– Base, estou acessando o terminal. – disse ela,
tirando o quadro do lugar e conectando um modem remoto no pequeno
computador.
–– Transmitindo as informações. – disse ela.
Enquanto isso, ela pegou algumas roupas, prendendo o cabelo
e vestindo uma calça e uma blusa de gola alta cor de caramelo.
–– Entendido. – disse ela, correspondendo-se com alguém,
tirando em seguida o modem do computador e colocando o quadro de
volta.
A seguir, ela sacou uma pequena pistola, destrancando a
sala e saindo com cuidado.
Ela olhava para todos os lados, enquanto procurava pro alguém.
Então, ela aproximou-se, abrindo um armário. Porém, lá dentro
só havia roupas e máscaras, com pára-quedas embutidos. Eram
roupas para saltos aéreos.
De repente, uma voz.
–– Largue a pistola! – disse um guarda atrás dela,
que segurava uma arma contra sua cabeça.
Barbara jogou a arma um pouco longe dele. Ele distraiu-se,
e ela o atacou com um chute, derrubando a pistola dele também.
Ele correu pela pequena sala dentro do avião, pegando uma
garrafa de champagne para acerta-la. Ela esquivou-se duas vezes,
pegando o balde de champagne e jogando contra a cabeça do guarda.
Gelo voou para todos os lados.
Barbara saltou, pegando a garrafa dele e quebrando na sua
nuca. O homem caiu, inconsciente.
Ela, então, virou-se. E, para sua surpresa, da porta
vermelha surgiu o homem que havia sido nocauteado há pouco.Ele
levantou uma pistola, apontando para Barbara. Ela arregalou os
olhos.
Um tiro. Escuro.
24 HORAS ANTES...
Barbara corria pelo grande parque verde. Usava uma roupa
simples, de ginástica, os cabelos presos num rabo e ouvia música
através de fones no ouvido.
Pessoas se divertiam alegremente no parque, brincando com
os seus cachorros ou suas crianças.
Barbara passou por um mendigo, que estendia uma xícara de
metal para ganhar algum dinheiro. Barbara estendeu a mão e
depositou uma moeda.
O mendigo olhou para os lados, colocando a mão no ouvido
disfarçadamente.
–– BlueBird pede permissão para entrada sigilosa. –
disse o mendigo, na verdade um agente.
–– Entendido. – respondeu a voz pelo comunicador do
mendigo – Entrada de BlueBird permitida.
Logo, Barbara entrava no prédio da CIA, encontrando
Cannon.
–– Então, quais são as novas informações? –
perguntou ela – Porque Connor nos chamou em um sábado?
Cannon e Barbara começaram a caminhar.
–– Ele não vai dizer. – disse Cannon – Está
esperando a reunião.
Connor passou na frente dos dois.
–– Vamos lá, os dois. – disse Connor, caminhando com
pressa – Falou para ela dos transferidos?
Barbara olhou para Cannon, enquanto Connor desaparecia na
frente.
–– Alguns recrutas de Langley vão estar nos
observando. – disse Cannon – Vieram fazer um relatório.
Barbara confirmou com a cabeça que estava tudo bem, e
virou-se. Mas Cannon a segurou pelo braço.
–– Espera. – disse ele – Vem aqui.
Cannon levou Barbara para um canto mais privado do escritório,
onde só estavam os dois.
–– Quero dizer uma coisa. – disse ele – Pode
parecer óbvio ou presunçoso, mas mesmo assim vou dizer.
Barbara o encarou.
–– Isto não está dando certo. – disse ele – Eu
tenho pensado nisso há algum tempo, mas não sei mais o que
fazer.
Cannon encarou Barbara, esperando uma resposta. Mas Barbara
lançou de volta o olhar.
–– O que? – perguntou ela.
–– Acho que você sabe o que. – respondeu ele.
–– Mas eu preciso que me diga. – disse ela.
–– Dizer o que? – perguntou Cannon – Que quando você
está em missão eu não consigo dormir? Que quando nos
encontramos escondidos, tenho que me esforçar para lembrar a sua
contramissão quando tudo o que quero é beija-la?
Barbara não pode conter um sorriso e um suspiro.
–– Às vezes é mesmo difícil de se concentrar... –
disse ela, sorrindo.
–– É disso que estou falando. – continuou ele – O
que não consigo suportar é que as mesmas pessoas que nos
matariam se nos vissem juntos, a Aliança, a Fortaleza, Shinter, são
as mesmas pessoas que a trouxeram para minha vida. Que tipo de
ironia é essa?
Barbara abaixou o olhar.
–– Acha que talvez devêssemos não trabalhar mais
juntos? – perguntou ela.
–– Eu pensei nisso. – falou ele – Mas nós somos ótimos
juntos. E quanto mais trabalharmos juntos, mais cedo a Aliança
será destruída.
Barbara o olhou novamente, e quando ia falar alguma coisa,
alguém surgiu próximo à eles.
–– Olá! – disse a mulher – Connor está esperando
vocês dois.
–– Nós já vamos. – disse Barbara – Vicki, não é?
–– Isso mesmo. – disse ela – Bom, não demorem.
Vicki saiu, Cannon e Barbara se olharam, sorrindo. Então,
Cannon virou-se e saiu também.
Barbara e Cannon entraram na sala de reuniões. Nos
monitores, apareceu uma foto de alguém muito familiar.
–– Trevor Shinter. – disse Connor – Como vocês
sabem, Shinter é o diretor da Fortaleza. Para os que ainda não
conhecem a história, a Fortaleza é um braço da Aliança dos
Mercenários, um sindicato mundial terrorista, responsável pelo
tráfico de drogas, armas e assassinatos. A Aliança mantém pelo
mundo contatos e inúmeros escritórios, ou células terroristas,
que reportam aos chefões da Aliança. Já localizamos 12 dessas células,
de um total que, acreditamos ser 23. Os agentes Creft, Thomas e
Barbara vêm trabalhando disfarçados na Fortaleza, seguindo seus
objetivos, contatos, missões, e reportando tudo a nós. Eles
trabalham para Trevor Shinter. Até semana passada. A Aliança
mandou um substituto para Shinter, depois de um estranho
desaparecimento. O nome do homem é Edward Russek. Não
conseguimos achar nada do homem até agora. Não possui ficha da
CIA, nem no FBI, nem na NSA, não possui nem uma multa de carros,
nada.
De repente, Barbara interrompeu.
–– Russek era amigo de Shinter, certo? – disse ela.
–– Exato. – disse Connor.
–– Então, será que ele não sabe onde Shinter possa
estar? – perguntou ela.
–– Não. – disse Connor – De acordo com o Echelon,
assim como nós, a Aliança também está na busca de Shinter, mas
ele realmente sumiu do mapa. Ninguém está encontrando nem sinal
dele.
–– O que vamos fazer agora? – perguntou Barbara.
–– Com a chegada de Russek, Barbara e Thomas não terão
mais acesso à cúpula da Fortaleza. – disse Connor – A missão
de vocês é se aproximar de Russek.
Barbara e Thomas se entreolharam.
–– Bom, é isso. – disse Connor, levantando-se.
–– Pai! – disse Barbara, virando-se para Tom – O único
homem que eu realmente queria levar à justiça está
desaparecido, de repente, há quase duas semanas.
Thomas olhou para a filha.
–– Barbara, faço isso há muito tempo. – disse ele
– Raramente tem um fim.
Thomas levantou-se, enquanto Barbara o olhava.
|
| ACT
TWO |
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Barbara entrava no escritório da Fortaleza. Foi quando
olhou para o diretor da Fortaleza, trabalhando no computador.
Respirou fundo e foi em direção do escritório.
–– Com licença. – falou ela, entreabrindo a porta
– Diretor Russek?
–– Ah, olá, Agente Creft. – disse ele, voltando a
atenção a ela – Entre e sente-se.
Ela deu um sorriso forçado e sentou-se.
–– Então, Srta. Creft... – disse ele – Em que
posso ser útil?
–– Eu só gostaria de saber se obteve algum progresso
em relação ao desaparecimento de Shinter. – disse ela.
Ele deu um risinho, encarando-a em seguida.
–– Na verdade, Agente Creft... – disse ele – Ainda
não. Houve um atraso na investigação.
–– Posso perguntar o porquê? – disse Barbara.
–– Eu descobri que Juliette Moore era uma traidora e
mandei executa-la. – disse Russek, friamente.
Barbara deu um suspiro, quase como um susto pela repentina
reação fria.
–– Eu sinto muito. – disse ela – Preciso ir.
Ela levantou-se da cadeira. Ele a olhava com ironia e
desconfiança.
Barbara, do lado de fora, caminhava, até que parou em sua
mesa, suspirando, com as mãos na cabeça.
–– Barbara... – chamou uma voz.
Ela
virou-se. Era David Karrigan.
–– Estou vendo que falou com o diretor Russek. –
disse ele.
Ela o encarou.
–– Sei disso, porque ontem, quando falei com ele, saí
da sala tão nervoso quanto você está agora.
–– Não estou nervosa. – disse ela.
–– Então deveria. – falou Karrigan – Afinal, todos
temos segredos, Barbara. E, pelo que sei de Russek, ele vai
descobrir todos.
Barbara o encarou.
–– E o que sabe sobre ele? – perguntou ela.
–– Não muito. – disse Karrigan – Apenas que ele
era da inteligência alemã.
Barbara suspirou.
–– O que me impressionou foi a rapidez dele. – disse
Karrigan – Já está investigando o desaparecimento de Shinter,
mesmo após a recente morte de Moore.
Barbara o encarou.
–– Graças a você. – disse ela.
–– Teve de ser feito. – disse Karrigan – Mas Russek
está fazendo grandes progressos. Parecia muito feliz hoje de manhã
quando disse que já estava conseguindo acesso aos arquivos de
Shinter no servidor 23.
De repente, Barbara ficou surpresa.
–– Servidor 23? – disse ela – Só há 22
servidores.
Karrigan, de repente, pareceu confuso.
–– Estranho. – disse Karrigan – Ele parecia muito
contente de anunciar que tinha conseguido acesso ao servidor 23.
Em seguida, Karrigan saiu, enquanto Barbara ficou com uma
estranha idéia na cabeça.
Mais tarde, ela se encontrava com o pai. Meia hora antes,
ainda na Fortaleza, ela havia marcado um encontro escondido, no
galpão, com ele.
Ela parecia bastante excitada com a nova possibilidade.
–– Só há um motivo para Shinter esconder a existência
de um servidor da Fortaleza. – dizia ela ao pai – Possui
arquivos de extrema importância.
Thomas tentava acalmar a filha.
–– Barbara, procure manter a calma. – disse ele – Não
sabemos se isto pode ser uma jogada de Karrigan.
–– Pai, pense nisso! – disse ela – Se tivéssemos
acesso ao servidor 23, imagine o passo que daríamos na frente da
Aliança!
–– Barbara, isso pode apenas ser um truque! – disse
ele.
–– Podemos verificar isso! – disse ela – Podemos
usar o Echelon! Pense, pai! Se o servidor 23 realmente existir,
podemos dar uma cartada final!
Thomas olhou para a filha, observando sua força de
vontade.
–– Vou ver se a CIA autoriza a missão. – disse ele.
ESCRITÓRIO DA CIA
Barbara e Thomas entravam no escritório da CIA, após
Cannon tê-los contatado com as novas notícias.
–– E então, o que acharam? – perguntou Barbara.
–– Pesquisamos sobre o servidor 23 no Echelon. –
disse Cannon – Foi muito difícil achar algo sobre ele, mas de
repente, pesquisamos nos arquivos do FBI e adivinha o que
encontramos.
Barbara olhou para Cannon, enquanto Connor e Thomas olhavam
para ele também.
–– Referências a Katherine Wilson. – disse ele –
Creio que se lembram dela, não é?
–– Quem é Katherine Wilson? – perguntou Connor.
–– Há mais ou menos um ano, descobrimos uma ordem da
Fortaleza para matar essa mulher. – disse Barbara – A
Fortaleza descobriu que ela era uma agente dupla do FBI, e por
isso mandou mata-la. Então, nos a salvamos e ela sumiu do mapa.
–– Exatamente. – respondeu Cannon – E ela havia
descoberto sobre o servidor 23, e foi por isso que Shinter mandou
mata-la.
–– Afinal, o que é o servidor 23, Sr. Harris? –
perguntou Thomas, impaciente.
–– Nós não conseguimos localiza-lo inicialmente
porque ele não está na terra. – disse Cannon – Ele fica no
ar. É um Boeing 747, adquirido pela Aliança em setembro de 98.
–– Então o servidor fica no ar o tempo todo? –
perguntou Barbara.
–– Numa rota de Londres a Los Angeles. – disse Cannon
– Só pousa para abastecer. Dentro do avião, há uma pequena
equipe de segurança e um homem, que vive lá, chamado Antony
Krauss.
–– Quer me dizer que este cara vive dentro de um avião?
– perguntou Barbara, surpresa.
–– Não é apenas um avião. – disse ele – É uma
casa nos ares. Além disso, ele é bem pago para vigiar o servidor
23, e recebe certos favores da Aliança por isso.
–– Favores? – perguntou ela.
–– Quando o avião pousa, ele recebe a visita de
algumas “amigas”. – disse Cannon – A Aliança oferece
mulheres.
–– Meu deus... E eu tenho que ser a amiga dele? –
perguntou Barbara.
–– Não exatamente. – disse ele – Tudo o que
precisa fazer é se aproximar o suficiente dele para descobrir
como acessar o servidor 23. Depois, você vai render a segurança,
que é pequena, e esperar o avião pousar. Quando ele pousar,
haverá uma equipe da CIA para prender o pessoal do avião.
Connor olhou para eles.
–– Certo. – disse ele – Está aprovado. Se
conseguirem fazer isso...
Mas Connor não terminou a frase.
–– Boa-sorte. – completou Connor, enquanto virava-se
e ia embora. Thomas foi logo em seguida.
Barbara e Cannon se olharam.
–– Mandaremos você para o avião amanhã à noite,
quando ele parar em Londres para abastecer. – respondeu Cannon.
–– Certo. – disse ela.
–– Eu estarei com você, através de um comunicador em
seus brincos. – disse ele.
Ela sorriu.
–– Obrigada. – disse ela.
SOBRE O ATLÂNTICO...
O avião 747 voava entre as poucas nuvens daquela noite.
Neste momento, Barbara entrava na cabine do quarto de
Antony Krauss, vestida com uma sexy lingerie vermelha, usando uma
cinta-liga e saltos altos. Um chicote estava sobre uma das mãos
dela. Ela bateu ligeiramente o chicote, caminhando pelo corredor e
parando um pouco mais para frente, recostando-se na parede.
À frente, Krauss estava deitado na cama, com uma taça de
vinho na mão e um pedaço de camarão na outra.
Barbara o encarou quando ele a olhou de cima para baixo.
–– Nada mal. – disse ele – Podem sair.
Dois seguranças saíram pela porta.
Barbara caminhou em direção da janela circular, olhando
para fora. Toda a cidade era vista daquela janela.
–– Certo, ela entrou. – disse Cannon, que olhava por
uma pequena micro-câmera nos brincos dela através de um monitor,
em uma base segura.
Da central da CIA, Connor e Thomas escutavam a transmissão
de Cannon.
No avião, o homem trancou a porta vermelha, virando-se
para Barbara, que deu um sorriso.
Ele sentou-se na cama, enquanto Barbara sentava-se sobre
ele.
–– Venha cá, queridinha... – disse ele, abraçando-a,
enquanto deitava-se na cama e Barbara ficava sobre ele – Me dê
um pouco de mel...
Barbara o fez deitar completamente, tirando de dentro do
sapato uma pequena corrente. De repente, ela virou-o de bruços,
segurando sua corrente contra o pescoço do homem, que parecia sem
fôlego.
–– Qual é o problema de homens como você? – disse
ela, apertando a corrente – Tratando as mulheres assim!
–– Va-vadia... – o homem balbuciou.
Barbara deu uma pesada cotovelada no rosto dele, mas ele
continuou acordado.
–– Você acha que é confortável? – perguntou ela,
com os dentes cerrados – Acha que é confortável usar roupas
assim?
O homem estendeu a mão, ativando um botão na cômoda ao
lado da cama.
–– Não seja idiota, eu não sou uma novata. – disse
ela, que continuava segurando o homem com a corrente – Eu
desativei o seu botão.
O homem começou a babar pela falta de ar.
–– Barbara, faça-o falar agora! – disse Cannon pelo
comunicador.
–– Eu sei quem você é... – disse Barbara – Sei o
que este avião é...
O homem tentava se soltar.
–– Como faço para acessar o servidor 23? – perguntou
ela com raiva.
–– Vá pro inferno! – falou o homem.
Barbara deu outra cotovelada no rosto dele, e seu nariz
começou a escorrer em sangue.
–– Como eu acesso o servidor 23? – perguntou ela,
irritada, forçando mais a corda.
O homem, quase sem respirar, finalmente balbuciou.
–– Há... – disse ele – Há um terminal atrás do
quadro perto do espelho.
Barbara levantou-se, batendo com a cabeça do homem na cômoda.
Ele desmaiou instantaneamente.
–– Base, estou acessando o terminal. – disse ela,
tirando o quadro do lugar e conectando um modem remoto no pequeno
computador.
–– Entendido. – disse Cannon.
–– Transmitindo as informações. – disse ela.
–– Recebendo. – confirmou Cannon.
Enquanto isso, ela pegou algumas roupas, prendendo o cabelo
e vestindo uma calça e uma blusa de gola alta cor de caramelo.
–– A equipe de segurança, Barbara. – disse Cannon
– Detenha a equipe de segurança.
–– Entendido. – disse ela, tirando em seguida o modem
do computador e colocando o quadro de volta.
A seguir, ela sacou uma pequena pistola, destrancando a
sala e saindo com cuidado.
Ela olhava para todos os lados, enquanto procurava pro alguém.
Então, ela aproximou-se, abrindo um armário. Porém, lá dentro
só havia roupas e máscaras, com pára-quedas embutidos. Eram
roupas para saltos aéreos.
De repente, uma voz.
–– Largue a pistola! – disse um guarda atrás dela,
que segurava uma arma contra sua cabeça.
–– Barbara, largue a arma longe dele! – disse Cannon
– Faça-o pegar!
Barbara jogou a arma um pouco longe dele. Ele distraiu-se,
e ela o atacou com um chute, derrubando a pistola dele também.
Ele correu pela pequena sala dentro do avião, pegando uma
garrafa de champagne para acerta-la. Ela esquivou-se duas vezes,
pegando o balde de champagne e jogando contra a cabeça do guarda.
Gelo voou para todos os lados.
–– Barbara! – chamava Cannon pelo comunicador, mas
ela não respondia.
Barbara saltou, pegando a garrafa dele e quebrando na sua
nuca. O homem caiu, inconsciente.
Ela, então, virou-se. E, para sua surpresa, da porta
vermelha surgiu Krauss. Ele levantou uma pistola, apontando para
Barbara. Ela arregalou os olhos. Ele atirou.
Barbara saltou para trás do bar, enquanto o tiro quebrava
algumas garrafas. O homem continuou atirando.
–– Isso é para aprender a não nos roubar, sua
vagabunda! – disse ele, continuando a atirar, enquanto Barbara
se escondia atrás do bar.
De repente, ela viu a pequena janela à frente ser atingida
por um tiro. Ela foi lentamente se rachando. Barbara se segurou a
um cano no chão. De repente, a janela quebrou.
–– Barbara! – chamou Cannon, assustado.
Um pedaço da fuselagem se rompeu, sugando tudo para fora.
O homem tentou se segurar, mas uma das poltronas do avião bateu
contra ele, levando-o para fora.
O homem voou para fora do avião, sendo engolido pela
turbina, que pegou fogo e explodiu em questão de segundos. O avião
começou a cair.
Barbara se segurava com toda a sua força no cano, enquanto
um barulho ensurdecedor de metal cortando o ar, de giz arranhando
a lousa, soava.
Barbara, segurando-se, começou a tentar chegar ao armário
à frente, segurando-se nas mesas fixadas no chão do avião.
Finalmente, conseguiu chegar.
Quando abriu o armário, pegou uma das mochilas, prendendo
com dificuldade em seu corpo. Em seguida, ela colocou uma máscara,
encolheu-se e deixou a forte sucção leva-la.
Num segundo, ela estava fora do avião, planando em
velocidade incrível. Alguns segundos após sair do avião, ela
acionou o pára-quedas.
Abaixo dela, as luzes da cidade brilhavam, enquanto o avião
se explodia por completo.
Cannon suspirou com alívio.
–– Sua filha é maluca. – disse Connor, virando-se
para Thomas.
Thomas suspirou aliviado, saindo em seguida.
|
| ACT
THREE |
|
ESCRITÓRIO DA CIA
Barbara chegava ao escritório da CIA, e Cannon a esperava
no saguão, com uma pasta cheia de papéis nas mãos.
–– Chegou o relatório de análise do disco rígido do
servidor 23. – disse Cannon.
Ele entregou os papéis a Barbara. Ela ficou atônita
quando começou a ler as primeiras páginas, virando o olhar em
seguida para Cannon.
–– Meu Deus... – suspirou ela.
Alguns minutos depois, Barbara e Cannon estavam contatando
Connor e Thomas para conversar sobre as novas e surpreendentes notícias.
Connor lia os papéis com olhos atentos e surpresos,
enquanto Thomas apenas observava a situação que ali se
desenrolava.
–– Sr., precisamos fazer isso agora! – disse Barbara
a Connor – Esta é a nossa chance.
–– Eu entendo isso, Srta. Creft, mas não se apressa
uma operação dessas assim! – disse Connor.
–– Sr., com todo o respeito, mas se não agirmos já, a
Aliança saberá do vazamento de informações e isso não valerá
para mais nada! – falou ele.
–– Acho que não preciso lembra-lo que existem 75Kg de
explosivo C-4 fixado nas estruturas do prédio da Fortaleza. –
disse Connor – Explosivos que serão ativados para enterrar
qualquer prova da existência da Fortaleza em caso de uma invasão.
Se esta informação for errada e agirmos, isto significará a
morte de centenas de civis.
–– Connor... – chamou Thomas, que agora lia os
documentos da análise – De acordo com as informações do
servidor 23, cada célula da Aliança usa um código que os
integra à rede principal da Aliança. Cada código muda
semanalmente. Se isto for correto, tudo o que se precisa fazer é
conseguir o código e acessar essa rede.
–– Será possível descobrir nomes de associados,
localização de todas as células, endereço das casas dos líderes,
tudo. – disse Barbara – É a nossa chance de destruir a Aliança.
Connor colocou a mão na boca.
–– Se isto for verdade... – falou ele – Eu poderia
coordenar um ataque massivo e simultâneo contra cada célula da
Aliança pelo mundo.
–– Tudo o que precisamos é acessar a rede central da
Aliança. – disse Barbara.
–– Nós temos o código da Fortaleza para acessar esse
terminal? – perguntou Cannon.
–– Não. – falou Thomas – Mas posso conseguir. Vou
acessar os arquivos de Trevor Shinter. Eu tenho a senha dele. O código
será fácil de obter.
–– Certo, Thomas. – disse Connor – Se puder voltar
para nós com uma informação plausível, vocês terão sua
chance.
Barbara e Cannon se entreolharam.
PRÉDIO DO CITY CREDIT BANK
Russek verificava os novos arquivos. Em seguida, alguém
bateu na porta.
–– Me chamou, Sr.? – perguntou o homem na porta.
Era o chefe do setor de segurança.
–– Sim. – disse Russek – Consegui abrir os arquivos
de Trevor Shinter, mas pelo que parece não há nada aqui.
O homem ficou meio confuso.
–– Então creio que não há nada, senhor. – falou o
homem.
–– Tenho certeza que Trevor Shinter escondia alguma
coisa. – disse Russek – Não há nenhuma maneira de recuperar
arquivos excluídos?
–– Claro, senhor. – disse o homem, dando alguns
comandos para o computador.
Russek observava os arquivos sendo recuperados, quando um
arquivo chamou sua atenção.
–– O que é isso? – perguntou ele, apontando.
–– É um e-mail que foi excluído. – disse o homem
– Shinter ia mandar para a Aliança.
–– Dá para recuperar o que diz? – perguntou Russek.
–– Sim sr. – disse o homem, dando mais alguns
comandos.
Logo, o e-mail apareceu por completo na tela. Russek foi
lendo, até que uma frase chamou sua atenção.
“Thomas Creft e Barbara Creft são agentes duplos.”
–– Thomas Creft e Barbara Creft são agentes duplos...
– repetiu Russek.
Em seguida, ele virou-se para o homem.
–– Onde estão Thomas e Barbara Creft? – perguntou
Russek.
–– Thomas acabou de entrar no prédio. – disse ele.
–– Não deixe que ele saia. – disse Russek, com um
sorriso – Peguei você...
Thomas terminava de acessar o conteúdo dos arquivos de
Thomas. Finalmente, leu a senha: 62636.
Ele desligou o computador e levantou-se, indo ao elevador.
Um dos seguranças, porém, apareceu em sua frente.
–– Sr. Creft, pode nos acompanhar, por favor. – pediu
o homem.
–– O que está havendo? – perguntou Thomas.
O homem apenas o encarou, e Thomas virou-se rapidamente
para escapar, mas outros dois homens estavam impedindo a passagem.
De repente, Thomas sentiu uma agulhada em suas costas: um
dardo tranqüilizante o atingira. Lentamente, Thomas foi ao chão,
enquanto a imagem ao seu redor desvanecia.
No prédio da CIA, Barbara esperava apreensiva pela volta
do pai, sentada em uma das cadeiras do escritório. Cannon se
aproximou, sentando-se ao lado dela.
Barbara virou o olhar para ele, e sorriu. Porém, antes que
pudessem falar alguma coisa, o celular dela tocou.
Ansiosa, ela atendeu rapidamente.
–– Oi! – disse ela.
–– Barbara, sou eu. – disse a voz de Thomas pelo
celular – Estou falando com o Sr. Russek agora, ele quer que
venha para cá imediatamente. Ah, e pegue ruas secundárias, a
avenida principal está fechada.
De repente, a expressão de Barbara ficou carregada. Seus
olhos encheram-se de lágrimas.
–– Certo... – disse ela, com dificuldade – Estarei
aí.
–– Até logo. – respondeu Thomas, desligando o
celular.
Ele voltou o olhar para Russek, que o contemplava com
satisfação.
–– Ele conseguiu o código? – perguntou Cannon,
enquanto Barbara se levantava e colocava a mão na cabeça,
chorando – Barbara?
–– Ele foi exposto. – disse Barbara, com grande
preocupação.
–– O que? – perguntou Cannon.
–– Ele disse: “pegue uma rua secundária, a principal
está fechada.” – repetiu ela.
–– Eu não entendo. – disse ele, enquanto ela limpava
as lágrimas que caíam.
–– Inventamos essa frase. – explicou ela, chorando
– É um código que inventamos caso um de nós fosse descoberto.
Para avisar o outro para ficar longe. Ele está com Russek agora.
No porão escondido da Fortaleza, Thomas estava amarrado a
uma cadeira de tortura. Russek estava à sua frente.
–– Tom... – disse Russek – Sei que você é
desleal. E sei que sua filha também é. As fichas de vocês...
tinham tantos furos, tantas indicações disso que pareciam um
aeroporto russo. O que não sei é a quem são leais.
Russek pegou um gel, espalhando nas mãos cobertas com
luvas cirúrgicas. Ele começou a espalhar o gel na canela de
Thomas.
–– A quem você é leal, Thomas? – perguntou Russek
– Para quem trabalha.
Russek sentou-se à frente de Tom.
–– Já nos conhecemos. – disse Thomas – Uma
surpresa que não se lembre. Um homem tão detalhista.
Russek pegou uma correia de metal e amarrou sobre o gel que
havia passado nas pernas de Thomas.
–– Também demorei em lembrar. – disse Tom – Praga,
87. Nós jantamos.
–– Você estava na missão com Jordine? – perguntou
Russek – Ah, sim, agora me lembro.
Russek riu.
–– Vamos, Thomas... – disse ele – Me diga para quem
trabalha, e isto não precisa nem começar.
Russek ligou dois alicates que possuíam fios na corrente
atada a Thomas.
Tom, porém, permaneceu incólume.
–– Uma última chance. – disse Russek, com o botão
perto da máquina na qual estavam ligados os dois alicates.
Thomas não disse palavra alguma. Russek, então, acionou o
botão. Um choque começou a percorre o corpo de Thomas, que começou
a remexer-se.
Russek aumentou o botão de potência. O choque ficou
violento. Thomas deu um grito profundo, enquanto Russek assistia
à cena.
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| ACT
FOUR |
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July recebia uma ligação de Barbara.
–– July, você está bem? – perguntava Barbara pelo
telefone, parecendo preocupada.
–– Está nervosa, o que houve? – perguntou ela.
–– Preciso que saia da cidade. – disse Barbara.
–– Sair da cidade, mas porque? – perguntou July.
–– Só me prometa que vai sair! – disse ela – Vá visitar
sua mãe! Por favor, July...
–– Você está em apuros? – perguntou July.
–– Na verdade, é um problema com o apartamento. – disse
Barbara – Apenas saia da cidade, tudo bem?
July ficou assustada.
–– Tudo bem, só vou até o salão de cabeleireiro pegar
uns papéis e vou sair da cidade. – disse ela.
–– Me prometa. – pediu Barbara.
–– Eu prometo. – respondeu July.
–– Preciso ir. – disse Barbara, desligando.
Cannon aparecia em frente à Barbara.
–– Connor está vindo. – disse ele.
–– Connor não fará nada! – disse Barbara – Meu pai
estava certo, Connor não fará nada com a Aliança até ter certeza
das informações. Precisamos do código da Fortaleza.
–– Você não pode voltar lá! – falou Cannon.
–– Eu sei... – disse ela – Mas conheço alguém que
pode.
–– O que? – disse Cannon, surpreso – Nick! Não pode
contar a verdade sobre a Aliança assim!
–– É a única maneira! – disse Barbara – Meu pai vai
morrer, Cannon.
Cannon abaixou o olhar.
Mais tarde, Barbara dirigia o carro em alta velocidade para
um local remoto em Los Angeles, perto das usinas, nas montanhas.
Ela desceu do carro rapidamente. Nick a esperava lá.
–– Barbara! – falou ele – Recebi seu recado, o que
houve?
Ela o encarou, com o olhar confuso e preocupado.
–– O que houve? – perguntou ele.
–– Não tenho tempo para explicar tudo. – disse ela
– Para me desculpar da forma que deveria.
Nick ficou com uma expressão muito séria.
–– A Fortaleza não tem nada a ver com a CIA. – disse
ela – Nick, mentiram para você. Mentiram para todos nós.
Nick, de repente, ficou confuso e começou a rir.
–– O que... isto é... – gaguejou ele.
–– Nick, você chegou a suspeitar de mim! – disse ela
– Você estava certo! Eu o levaria ao quartel-general da CIA, mostraria
provas de tudo o que estou lhe dizendo, mas no momento não há tempo.
Nick levantou o olhar, não querendo acreditar.
–– A Fortaleza faz parte da Aliança! – disse ela –
Você esteve trabalhando para o inimigo que pensou estar combatendo.
Nick abaixou o olhar, olhando para o céu, procurando alguma
resposta.
–– Isto levará tempo para digerir, o tempo que não temos.
– disse Barbara – Você precisa me ouvir.
Nick a encarou, e confirmou com a cabeça, ainda atônito.
–– Eles estão com o meu pai. – disse ela – Russek,
na Fortaleza... E ele vai mata-lo...
Barbara controlou as emoções e voltou a falar.
–– A CIA, a verdadeira CIA...
–– Não, não! – interrompeu Nick, gritando – Isto
é loucura! Você está se ouvindo?
–– Eles têm informações que podem mudar isso. – disse
Barbara – Me escute!
Nick continuava gritando.
–– Você tem que me escutar! – gritou Barbara – Não
posso voltar porque senão vão me matar também! Mas você pode!
Você precisa ir para a Fortaleza e tornar visível um arquivo, um
arquivo que você nem saberia estar lá, é um código, um número
que precisamos.
Barbara tirou um papel amarelado do bolso.
–– Se tivermos esse número, poderemos ter acesso ao terminal
da Aliança. – disse ela – A CIA dará uma batida em cada escritório
da Aliança! Se seguir estas instruções para conseguir o código,
entrará no núcleo de computadores da Fortaleza. Você verá que
não é a CIA. São eles. É a Aliança.
Nick virou o olhar para Barbara, pegando o papel.
–– Aguardarei seu e-mail, mas você precisa se apressar.
– disse ela.
Nick a encarou e foi embora, sem dizer palavra alguma.
De volta ao escritório da Fortaleza, Nick entrava, mas via
tudo aquilo com outros olhos. Sua vida durante a missão dentro da
Fortaleza havia sido uma grande farsa. De algum modo, ele sabia. Mas
estava há um passo de confirmar isso.
As pessoas lá trabalhavam como se nada tivesse acontecido,
sem saber que estavam sendo manipuladas durante anos.
ESCRITÓRIO DA CIA
Connor chegou rapidamente, logo após Barbara voltar.
–– O que você fez? – perguntou ele – Contou sobre
a Fortaleza ao seu parceiro, Nicholas Worm?
–– Sim, contei. – disse ela – Contei porque era a
única chance de conseguirmos o código agora!
–– Srta. Creft, isto é... – tentou dizer Connor, mas
foi interrompido por uma Barbara enfurecida.
–– Não venha me dizer o que é ou não concebível, pois
eu trabalhei durante quatro anos naquela empresa! – gritou ela
– Foi a minha vida que foi transtornada por eles! Eu não quero
ouvir outro sermão sobre o que é certo e o que é errado! Vamos
destruir a Aliança, e isto vai acontecer hoje!
Connor, de repente, abaixou o tom de voz.
–– Não será tão simples, Barbara. – disse ele –
Informações indicam que a rede da Aliança possui um sistema anti-falhas.
–– Sistema anti-falhas? – perguntou ela.
–– Exato. – respondeu ele – E nenhum de nossos profissionais
está habilitado para desarmar o sistema sem ser descoberto.
–– Eu sei de alguém que pode. – disse ela – Lauren
Irving.
–– Agora você está maluca, Agente Creft! – falou ele.
–– No histórico da minha mãe diz que ela já desarmou
sistemas anti-falhas muito complexos! – disse Barbara.
–– Não vou deixar que Lauren Irving tenha acesso a um
computador da CIA! – gritou ele.
–– Você a trouxe para este escritório! – falou Barbara
– Para que pudéssemos usar seus conhecimentos, sua perícia!
–– Lauren Irving perto de um computador é inconcebível!
– disse ele.
–– Ela seria monitorada por todos os agentes! – disse
ela – Não poderia roubar qualquer informação sem que notássemos.
Ou será que você prefere voltar ao papo do que é ou não inconcebível.
Connor virou-se para ela.
–– Srta. Creft, não vou tolerar sua falta de respeito,
ainda sou seu superior. – disse ele.
–– Exatamente. – disse ela – E se não destruirmos
a Aliança hoje, a culpa será toda sua.
Connor ficou sério, enquanto alguns outros agentes olhavam
para a discussão. Finalmente, ele suspirou.
–– Tragam Lauren Irving aqui. – disse ele.
Todo o escritório, de repente, parou para olhar para o corredor
à frente.
Lauren Irving era trazida por quatro guardas. Ela possuía
algemas nas mãos e nos pés. Finalmente, chegou ao computador, que
a aguardava.
Connor a fez sentar-se na cadeira.
–– Mamãe... – falou Barbara – Eu preciso de sua ajuda.
Lauren a olhou.
–– Nós descobrimos um jeito de acessar o servidor central
da Aliança. – disse ela – Mas ele tem um sistema de segurança
difícil de ser violado.
–– Você quer que eu acesse o servidor sem ativar o sistema.
– disse Lauren.
–– Se fizesse isso, seria o nosso último passo para destruir
a Aliança. – disse Barbara.
A mãe a olhou e sorriu.
–– Acho que vou precisar de café. – disse Lauren.
Connor virou-se para ela.
–– Um ou dois cubos de açúcar? – perguntou ele.
Ela apenas lhe lançou um olhar.
–– Ah, claro. – falou ele – Puro.
Ela confirmou com a cabeça.
Nick sentava-se na cadeira em frente à seu computador. Finalmente,
tomou coragem, abriu o papel que Barbara lhe entregara e ligou o computador.
“AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA”, dizia a mensagem na
tela. “Por favor, entre com o seu login.”
Nick entrou com o login e a senha dele. Então, ele começou
a procurar na rede pelo arquivo. Logo, o encontrou. Realmente era
um código: 62636.
Com esse código, Nick resolveu entrar no sistema central.
De repente, viu em grandes palavras escritas no monitor, em vermelho:
“Rede Segura da Aliança – Célula Fortaleza”. Ele colocou a
mão na boca, como se não estivesse preparado para a verdade da qual
já sabia.
Então, ele olhou em volta, novamente para as pessoas que,
assim como ele há apenas algumas horas, trabalhara: achando que estava
salvando o mundo.
Então, ele pegou o telefone e discou um número. Uma voz feminina
atendeu. Era de sua esposa.
–– Lucia... – disse ele.
–– Nicholas! – falou ela – Você ainda está no trabalho.
–– Sim, estou. – disse ele – Só liguei para dizer
que te amo.
–– O que está havendo, Nick? – perguntou ela – Está
tudo bem no banco?
–– Está sim. – disse ele – Vou voltar logo para casa.
Dê um beijo nas crianças.
–– Claro. – respondeu ela – Também te amo, querido.
Lucia desligou, enquanto Nick tomava coragem para terminar
o trabalho.
Na CIA, todos esperavam em volta do computador pelo e-mail
de Nick. Porém, apenas uma mensagem aparecia na tela.
“Sua caixa de e-mails está vazia.”
Cannon, Barbara, Lauren e Connor olhavam para o computador,
esperando alguma mudança.
De repente, um curto bip no computador. A mensagem havia se
modificado: “Há uma nova mensagem.”
Barbara abriu rapidamente a nova mensagem.
–– É o código! – disse ela – Temos o código da Fortaleza!
–– Certo, deixem Lauren Irving trabalhar! – disse Connor.
Lauren começou a acessar o servidor da Aliança. Ela começou
a digitar rapidamente vários comandos. Barbara e Cannon acompanhavam
as linhas de números que apareciam na tela preta do computador.
Logo, Connor trouxe o café. Lauren deu um gole nele, continuando
a digitar.
De repente, um aviso: “Alerta de Sistema de Segurança.”
Por um momento, todos ficaram apreensivos, mas logo em seguida a mensagem
se completou: “Desativado.”
–– Pronto. – respondeu Lauren – Está feito.
Barbara tomou o controle do computador.
–– Nós temos o acesso! – disse ela – Temos o controle
do sistema da Aliança! Dados, localizações das células, associados!
Está tudo aqui!
Em seguida, todos se encontravam novamente na sala de reuniões,
junto com alguns agentes de Langley.
–– Como é do conhecimento de vocês, a CIA recebeu recentemente
informações que têm nos provido de dados vitais sobre a estrutura
interna da Aliança. – falou Connor – Dados esses, antes indisponíveis.
Graças a um excelente trabalho da agente Creft e de seu pai, nós
confirmamos essas informações. Por isso hoje, às 22h, a CIA em
conjunto com a NSA, MI5 e o Shin Bet fará batidas simultâneas nos
escritórios da Aliança e na casa dos associados. E amanhã cedo,
se Deus permitir, a Aliança dos Mercenários não existirá mais.
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| ACT FIVE |
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Mais tarde, Barbara, Cannon e mais um time de 7 homens ouvia
instruções sobre a próxima e última missão: a invasão do prédio
do City Credit Bank, o prédio de fachada do quartel-general da Fortaleza.
–– O time tático cercará o prédio do City Credit Bank,
onde fica o escritório da Fortaleza. – dizia Connor – Ele se
aproximará do perímetro e desarmará o sistema de segurança. Com
o meu sinal, todos os escritórios da Aliança pelo mundo serão vasculhados,
assim como a central da Aliança em Londres e a residência dos sócios.
Os agentes confirmaram com a cabeça que haviam entendido.
–– Agora, o importante. – disse ele – A maioria dos
agentes da Fortaleza faz trabalho burocrático, mas os times de seguranças
vão responder com força letal. São eles que vocês precisam abater.
Barbara e Cannon olharam para Connor, quando ele finalmente
concluiu.
–– Este é um trabalho perigoso. – disse ele – Façam-no
bem e voltem para casa.
Os agentes partiram rumo aos carros que os levariam à Fortaleza.
Barbara e Cannon se entreolharam antes de saírem.
PRÉDIO DO CITY CREDIT BANK
Os furgões entravam a toda velocidade no estacionamento. Agentes
saíam dos carros, cortando com alicates os fios das câmeras de vigilância.
Porém, enquanto eles entravam, Thomas continuava na sala de
tortura.
Ele acordava lentamente.
–– Thomas... – a voz de Russek chamou – Você sabe
como isso funciona. O seu coração só agüentará mais um choque.
Ou talvez dois, quem sabe. Nunca vi alguém passar de três. E você?
Enquanto isso, Cannon e Barbara iam à frente do time. Logo,
colocaram máscaras pretas, que impediam que seus rostos fossem vistos.
Mas Russek continuava falando com Thomas.
–– Eu já lhe dei tempo suficiente para reconsiderar
– disse Russek.
Então ele pegou os dois alicates, ligando a máquina, prestes
a encostar os alicates no rosto dele.
Barbara e Cannon entravam no pequeno corredor do escritório
da Fortaleza, se posicionando agachados. Outros agentes trabalhavam
ali, sem perceber qualquer movimento.
–– Você está bem? – perguntou Cannon a Barbara.
–– Sim. – disse ela.
Na central da CIA, as informações de que todos os times estavam
posicionados chegavam.
–– Senhor... – disse Vicki a Connor – Todos os times
estão em posição.
Connor deu um respiro profundo.
–– Vamos entrar! – disse Connor, com certo receio.
–– Vão! Vão! – gritou Cannon.
Eles renderam as primeiras pessoas que passavam por ali. Porém,
um dos seguranças percebeu, e começou a atirar.
Nick estava sério sentado em sua cadeira, quando viu agentes
mascarados entrarem, rendendo a todos. A equipe de segurança começou
a atirar, e a equipe da CIA atirou de volta.
Nick jogou-se para baixo da mesa.
O barulho dos tiros, os objetos voando e se partindo no ar,
as primeiras cápsulas vazias caídas ao chão.
Algumas bombas de efeito no ar foram atiradas, criando uma
espessa nuvem branca no ar. Um cheiro de fumaça reinava.
Barbara e Cannon atiravam contra os inimigos. Um deles caiu
longe, quebrando uma porta de vidro de um dos escritórios.
Do teto, as lâmpadas desabavam, soltando faíscas. Fios despencavam
do teto. Quando viu o caminho livre, Barbara correu o mais rápido
que pode.
Suas botas ecoavam no chão. Ela tirou a máscara, jogando-a
para trás, enquanto que em seus cabelos ela podia sentir o vento
bater.
Enquanto isso, Russek continuava a falar.
–– Sua filha é tão bonita. – disse ele – Imagina
o que eu poderia fazer com ela.
Thomas abriu os olhos, encarando Russek.
Acima deles, a batalha continuava. Porém, Russek se levantou
e começou a aproximar cada vez mais o instrumento de tortura da cabeça
de Thomas.
–– Esta é sua última chance, Tom. – disse ele – Salve-se.
Salve Barbara. Para quem você trabalha?
Thomas apenas deu uma tremida, mas não disse qualquer palavra.
Estava suado e cansado.
–– Pra quem diabos você trabalha? – perguntou Russek
de novo.
Mas de repente a porta se abriu, num estrondo. Era Barbara,
com uma pistola na mão. Russek soltou os alicates de tortura e tentou
pegar uma pistola nas costas, mas Barbara atirou primeiro. A bala
pegou em cheio no peito dele. Ela ainda atirou mais três vezes, até
que Russek caiu no chão, morto.
Barbara correu para o pai.
–– Pai, você está bem? – perguntou ela, emocionada
– O que fizeram?
–– Estou bem, querida. – disse Thomas.
Neste momento, a equipe de para-médicos da CIA chegou.
–– Deixe-nos examina-lo. – disse um dos homens – Ele
está bem.
Acima deles, porém, agentes da Fortaleza eram presos e levados
para fora. Barbara subiu. Encontrou Nick sendo levado. Ela foi até
ele.
–– Nick... – disse ela – Obrigado. Isto tudo vai terminar
logo.
Ele a olhou com um olhar de reprovação.
–– Não fale comigo. – disse Nick, sendo escoltado pelo
guarda até a saída.
Barbara olhou ao redor. A fumaça se dissipava. O local estava
destruído. De repente, ela viu Cannon tirando sua máscara.
Ele olhou para ela. Os olhares se cruzaram. Ambos finalmente
se sentiam aliviados, depois de tudo isso. Lentamente, os dois foram
em direção um do outro. Logo, apertaram o passo, e, quando finalmente
se encontraram, ambos caíram em um beijo profundo e apaixonado, enquanto
se abraçavam. Finalmente, havia terminado.
Porém, apesar de tudo o que se sucedera, ou que ainda se sucederia,
os dois esqueceram-se de tudo e apenas se desligavam do mundo, continuando
a beijar-se, num momento que só pertencia aos dois. Para eles, durante
aquele momento, ninguém mais existia.
Na CIA, Vicki entregava um relatório a Connor.
–– Sr., estes são relatórios preliminares. – disse
ela – Mas, de acordo com os líderes das operações, podemos dizer
que temos o controle total de todos os escritórios da Aliança.
Connor pegou os relatórios.
FILIPINAS...
Shinter caminhava por uma praia, olhando o mar. Uma casa de
madeira rústica estava ao fundo. De repente, um telefonema em seu
celular. Ele atendeu. Era Karrigan.
–– Olá, David. – falou ele.
–– É realmente incrível. – falou Karrigan – Barbara
vazou a informação para a CIA e o resto saiu exatamente como o senhor
previu. Parabéns, senhor. A Aliança acabou.
–– Não devemos comemorar ainda. – disse Shinter –
Como você sabe, ainda há muito trabalho a ser feito.
–– Só queria dizer que o primeiro passo está dado.
– disse Karrigan.
–– Certo. – disse Shinter – Devemos prosseguir com
o plano. E Karrigan...
–– Sim? – perguntou Karrigan.
–– Certifique-se de que a agente nova está em posição.
– concluiu Shinter, desligando em seguida, com um sorriso no rosto.
–– Claro, Sr. Shinter. – falou Karrigan.
Shinter virou-se, caminhando em direção da casa. De repente,
a porta se abriu. Uma mulher abria a porta.
–– Conseguimos, querida. – disse Shinter a ela – Acabou.
A mulher era Amy Shinter.
–– Tem certeza? – perguntou Amy.
–– Sim. – disse ele – A Aliança acabou.
Em Los Angeles, no salão de cabeleireiros de July, um telefone
tocava.
–– Sim. – a mulher atendeu.
Essa mulher era July.
–– Pediram para confirmar se você está em posição.
– disse a voz do outro lado do telefone.
Era a voz de David Karrigan.
–– Sim. – respondeu July – Tudo está em ordem.
Em seguida, ela desligou o telefone, observando um cadáver
caído contra a parede, com um tiro na cabeça e uma poça de sangue
no chão.
O cadáver era a verdadeira July, morta, no chão.
THE SPIES.
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