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“Meu
nome é Barbara Creft. Eu sou uma agente secreta da CIA. Eu
trabalho ao lado de meu pai Thomas Creft no combate a ameaças
terroristas dentro dos Estados Unidos da América. Porém, após
um confronto mortal, eu fui dada como morta, e descobri que dois
anos haviam se passado desde então. Descobri que meu maior
inimigo, Trevor Shinter, é agora um aliado da CIA; Cannon Harris,
o homem que eu amava, é agora casado com outra mulher; e eu não
tenho qualquer lembrança do que aconteceu durante os dois anos
perdidos. Agora, estou em uma busca pela verdade, contanto apenas
com meu pai para desvendar o mistério dos anos perdidos.”
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| ANTERIORMENTE... |
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Barbara repassava o vídeo do assassinato novamente em seu
laptop, mostrando ao pai.
–– Ali! – ela apontou para a boca do homem, que se
movimentava, no exato momento em que ele caia com a garganta
sangrando – Você viu?
–– Não. – respondeu Thomas, com a xícara de café
na mão.
Barbara voltou novamente o vídeo.
–– Como não, ali! – falou Barbara – No momento que
ele cai, ele mexe a boca... Parece que está dizendo “Jess”,
ou “Jessie”. Talvez “Jessica”.
Sarah sentou-se, voltou o olhar para Barbara e começou a
falar.
–– Esta é uma situação difícil para todos nós. –
falou ela – Pensei que... não sei como, mas que de alguma
maneira deveríamos reconhecer isso. Ninguém nos culparia se nós
odiássemos uma à outra. Mas espero que isso não aconteça.
Barbara a encarou também, cordialmente, mas sem sorrir.
–– Eu não odeio você. – falou Barbara – Nem o
Cannon. É isso que torna tudo tão difícil.
Sarah sorriu.
Barbara, Cannon e Sarah se encontravam com Shinter.
–– Eu me encontrei com David Karrigan. – falou
Shinter – E ele me ofereceu uma parceria. Devido à nossa
parceria do passado, o Sr. Karrigan ainda confia em mim, como um cão
confia em seu mestre. Ele me raptou pois acredita que eu seria uma
arma valiosa dentro do Counteragent.
–– Ele ofereceu para o senhor um cargo dentro do The
Counteragent? – perguntou Sarah.
–– Exatamente. – disse Shinter, com um sorriso.
–– E o que o senhor disse? – perguntou Sarah.
Ele continuou sorrindo, enquanto Barbara riu ironicamente.
–– É claro que ele aceitou. – falou ela – Não é?
–– Sim, eu aceitei. – disse Shinter – Agora, eis a
minha proposta: eu posso conseguir informações valiosas à CIA
uma vez dentro do Counteragent. Eu poderia me tornar um
agente-duplo, trabalhando para o Counteragent, mas sendo leal à
CIA.
–– Isso é ridículo. – falou Barbara por impulso.
–– Eu senti sua falta, Barbara. – falou Shinter –
De verdade. E entendo sua relutância para comigo.
–– Não é apenas uma relutância. – Barbara retrucou
– É uma certeza. Você trabalhando com uma organização
terrorista. Eu não posso ver outro modo em que você pudesse ter
mais controle da situação. Eu o conheço muito bem. Muito bem
para acreditar nas suas mentiras novamente.
Tom entrava no escritório de Shinter.
–– Sobre o que queria falar comigo? – perguntou Tom.
–– Há algumas horas, a diretoria de Langley me
contatou informando que Shinter entrara em contato com eles. –
disse Nick – Shinter havia pedido autorização para se
infiltrar no Counteragent. Quando foi capturado, David Karrigan
ofereceu a ele uma parceria. Shinter aceitou, e graças ao impulso
do diretor Daves Brandon, do CSN, de descobrir mais informações,
a CIA aceitou o acordo. Trevor Shinter é agora um agente-duplo.
–– E você quer que eu seja o contato dele. – deduziu
Tom.
Nick confirmou com a cabeça.
–– Eu não quero ofende-lo, Nicholas, nem lhe ensinar o
seu trabalho. – falou Tom – Mas eu não sou a pessoa mais
indicada para esse trabalho. Desculpe-me.
–– Shinter exigiu que o seu contato fosse sua
filha, Tom. – disse Nick – Devido à história passada de
Barbara com ele, eu não acredito que seja o mais adequado. Eu sugeri
você. E ele aceitou. Disse que só vai cooperar se for com você.
Oransky estava inquieto. Estava sentado a uma mesa,
algemado a ela. Foi quando a porta à frente se abriu e Sarah
entrou.
–– Sr. Oransky. – falou Sarah – Meu nome é Sarah.
Eu sou do Conselho de Seg...
Mas Oransky a interrompeu.
–– Vá se danar! – disse ele – Eu não quero saber
quem diabos é você! Eu não vou responder suas malditas
perguntas! Não vou dizer nada, nada!
Sarah ficou séria.
–– Só quero adverti-lo, Sr. Oransky. – falou Sarah
– Temos métodos que podem faze-lo falar.
O homem estava caído no chão, e Barbara se aproximou.
–– Quem é você? – perguntou ela, segurando-o pela
camisa – Me diga! Nós nos conhecemos?
O homem riu.
–– Se nos conhecemos? – perguntou ele – É claro
que sim! Assim como Kamarov.
––Chega de jogos! – disse ela nervosa – Me diga
quem é você! Me diga o que o Counteragent fez comigo!
–– Hahaha! O Counteragent me mataria de qualquer forma!
– falou o homem – Temo que você nunca vai saber o que houve!
–– Me diga! – gritou ela, sacudindo-o.
Mas a cabeça do homem pendeu para o lado, e escorreu
saliva da boca dele. Ela olhou um estranho líquido amarelado
saindo de um dos dentes do homem. Cannon aproximou-se, examinando.
–– Dente falso. – falou Cannon – Cápsula de
veneno.
Sarah foi em direção da sala de tecnologia, acompanhada
de Nick, aproximando-se do rapaz.
–– E então? – perguntou ela – Já temos o
resultado?
–– Sim. – falou o homem, aproximando-se do computador
– Eu ainda não abri o vídeo, porque achei que o melhor era
espera-los.
–– Muito bem. – falou Nick – Abra o vídeo.
O homem obedeceu. Aos poucos, a imagem ampliada foi
renderizando, melhorando, e o rosto tornava-se cada vez mais visível.
De repente, parou.
–– O que houve? – perguntou Sarah, antes numa expressão
sorridente, agora apreensiva.
–– Eu... não sei. – disse o homem digitando alguns códigos
– É isso. É só isso que se consegue melhorar. Talvez o vídeo
estivesse corrompido.
Nick saiu do local, enquanto Sarah ainda encarava o rosto
da assassina.
–– Mas... quem diabos é você?
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| ACT
ONE |
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Barbara corria, usando dois fones de ouvido, ouvindo música.
Estava correndo na praça, perto da praia, fazendo seus exercícios
matinais. Logo, deu meia-volta e foi em direção à sua casa.
Chegou e abriu a porta. Quando entrou em sua cozinha,
assustou-se. Seu pai estava sentado na bancada.
–– Você deixou a porta aberta. – disse ela, ao perceber
o susto da filha.
–– Pai, você me assustou. – disse ela, colocando o pequeno
MP3 Player e as chaves em cima da bancada – O que houve?
–– Lembra-se do retrato que me desenhou ontem? – perguntou
Tom, estendendo o desenho para ela.
–– Sim. – falou ela – Do homem que eu e Cannon encontramos
em Moscou.
–– Exato. – falou Tom – Eu pesquisei informações
sobre ele, no banco de dados da CIA. Eu encontrei um perfil similar
ao dele. Tenente Karam. Ex-fuzileiro, ocupava um cargo importante
no The Counteragent, como coordenador de missões táticas.
–– Alguma pista de como ele me conhecia? – perguntou
ela.
–– Bom, parece óbvio que, durante o tempo em que você
estava desaparecida, estava sob poder do Counteragent. – disse
Tom – Acredito que vocês dois podem ter se conhecido.
–– Droga! – disse ela, irritada – Mais uma vez, sem
pistas, num beco sem saída.
–– Não desta vez, Barbara. – falou Tom – Parece que
Karam era bem próximo de um de nossos prisioneiros. Alguém que você
conheceu.
Barbara ficou séria.
–– Coronel Boris Oransky. – explicou Tom.
–– O homem que prendemos em Cuba? – perguntou ela.
–– Ele mesmo. – disse Tom – Desde então, Oransky está
sendo mantido no Camp Harris. Já foi interrogado, mas não confessou
nada. Eu acho que, talvez, ele possa ter uma pista. Eu sugeri à
Sarah que ela tentasse extrair informações de Oransky, mas ela não
conseguiu nada. Agora, ela quer falar com você.
Barbara estranhou.
–– Comigo? Por que? – perguntou ela.
–– Não faço idéia. – respondeu Tom.
–– Você... acha que ela pode saber? Sobre o Tenente
Karam?
–– Não. – disse Tom – A transmissão dos seus
microfones e dos de Cannon foram interrompidos quando vocês
entraram no subsolo do prédio em Moscou. A conversa não foi
gravada.
Barbara suspirou aliviada.
–– Mas Cannon estava lá. – disse Tom – Ele pode
ter ouvido.
Barbara levantou o rosto, entendendo o que o pai sugerira.
E, por um instante, ficou temerosa de que Cannon pudesse ter
contado o que ouviu para a esposa.
ESCRITÓRIO DA CIA
Cannon aproximou-se de Nick, na sala de reuniões.
–– Nick... – chamou ele – Posso falar com você por
um instante?
Nick virou-se.
–– Claro, Cannon. – disse ele – Entre.
Cannon entrou, aproximando-se.
–– Eu só queria saber... – disse Cannon – Se por
acaso ainda temos arquivado a gravação da missão em Moscou.
–– Sim, sim. – falou Nick – Mas por que?
–– Eu... – disse Cannon, pensativo – Queria
confirmar algo que ouvi.
–– Certo. – concordou Nick – E só precisa passar o
número da missão e o horário para nosso setor técnico.
Cannon já ia saindo da sala.
–– Ah! – Nick chamou a atenção – Acabei de me
lembrar! Há um trecho da transmissão faltando. Quando vocês
entraram no subsolo, a transmissão foi bloqueada.
Cannon pareceu um pouco insatisfeito.
–– Mas o que houve? – perguntou Nick, percebendo a
expressão de Cannon.
–– Eu... acho que o homem que acabou morrendo... –
falou Cannon – Que ia matar Barbara, que morreu com a cápsula
de veneno... Antes de morrer, ele disse algo. Sobre Barbara e ele
já se conhecerem... e sobre Kamarov.
Nick ficou, de repente, surpreso e confuso.
–– O que ele disse exatamente? – perguntou Nick.
–– Não me lembro ao certo, só que ele parecia
familiarizado com Barbara, pois chamou-a pelo nome. Não por um
dos disfarces dela, mas pelo nome real.
––
Porque não me avisou disso antes, Cannon?
- perguntou Nick.
–– Queria ter certeza antes. – falou ele – Além de
tudo, achei que a conversa já tinha sido analisada, mas este
trecho está faltando.
–– Entendo. – falou Nick, com uma expressão séria
– Vou checar isso com Barbara.
Cannon sorriu cordialmente.
–– Obrigado. – disse ele, já saindo.
–– Cannon! – chamou Nick – Vou pedir-lhe mais um
favor. Até que eu peça, não comente nada disso com sua esposa,
tudo bem?
Cannon ficou um pouco contrariado.
–– Quero me certificar de uma coisa, antes da informação
ser passada para o CSN. – falou Nick, observando a expressão
contrariada no rosto de Cannon – Tudo bem assim?
–– Claro. – disse Cannon, meio a contra gosto.
Cannon se retirou, enquanto Nick continuou pensativo sobre
a situação.
Barbara chegava ao escritório da CIA. Foi quando encontrou
Sarah esperando-a.
–– Meu pai disse que você queria falar comigo. –
disse Barbara.
–– Sim. – disse Sarah, sorrindo – Venha comigo, por
favor.
Barbara a acompanhou, caminhando pelo corredor.
–– O que houve? – perguntou Barbara, séria.
–– É sobre uma investigação de um assassinato. –
disse Sarah, enquanto Barbara ficou nervosa – O diplomata
Kamarov, pai de David Karrigan.
–– O que tem? – perguntou Barbara, escondendo o medo.
–– O CSN está pressionando. – disse ela – Na
semana passada, conseguimos um vídeo sobre o assassinato, mas ele
estava corrompido e não conseguimos identificar o rosto da
assassina. Eu acho que o homem que você prendeu em Cuba há três
semanas pode ter alguma pista.
–– Oransky? – disse Barbara – Você acha?
–– Sim, mas ele não quer cooperar. – falou Sarah –
Como o CSN quer uma resposta, eu reservei um vôo para o Camp
Harris, onde Oransky está sendo mantido. Você irá comigo.
–– Eu? – disse Barbara, surpresa – Mas porque o CSN
me quer no caso?
–– Fui eu quem quis. – esclareceu Sarah – Cannon
disse que você é a melhor.
Sarah afastou-se, deixando Barbara pensativa.
Logo, o helicóptero chegava ao Camp Harris. Barbara e
Sarah foram em direção da cela que mantinha Oransky preso.
Oransky estava cabisbaixo, o rosto um pouco machucado. Barbara
suspirou, e não quis saber porque o rosto dele estava assim –
apesar de saber que, possivelmente, era por causa de alguma
tortura. Oransky permanecia com o rosto abaixado, obscurecido pela
sombra, sem falar qualquer palavra, sentada no chão.
–– Sr. Oransky. – falou Barbara – Eu suponho que
saiba quem eu sou.
Ele não respondeu.
–– Fui eu que o trouxe para cá, que o prendeu em Cuba.
– disse ela – Eu tenho algumas perguntas.
–– Vá embora. – disse ele, sem qualquer alteração
na voz ou na fisionomia.
–– Como quiser, Sr. Oransky. – disse Barbara – Porém,
a proposta que tenho a fazer para o senhor é de seu interesse.
Ele não mostrou qualquer reação.
–– Eu preciso de informações sobre o Counteragent.
– disse ela – Tudo o que o senhor puder me informar. Em troca,
eu ofereço algo único para o senhor... Liberdade.
Ele, então, levantou o rosto em direção dela.
–– Pelo menos, a ilusão dela. – disse Barbara –
Uma casa, em algum lugar isolado, talvez perto de uma praia, onde
o senhor poderia viver. Sempre monitorado pelos guardas, claro.
Ainda assim, é melhor do que essa cela.
–– E se eu não cooperar? – perguntou ele.
–– Eles vão tornar sua vida um pouco mais desconfortável.
– disse Barbara – Solitária. Privação de luz e contato
humano. Enlouqueceria qualquer um.
–– Já estou mesmo louco. – falou ele, virando o
rosto novamente.
–– Ótimo. – disse ela – Eu não tenho mais tempo a
perder com você.
Barbara virou-se, com o olhar atônito de Sarah. Mas o
homem ergueu-se do chão.
–– Espere... – chamou ele, fazendo Barbara parar –
O que querem saber?
Barbara virou-se, olhando para Sarah em seguida.
–– Tudo. – falou ela – Tudo o que o senhor puder me
informar.
–– Oransky nos deu uma nova chance contra o The
Counteragent. – falava Sarah para todos, na sala de reuniões
– A agente Creft conseguiu que ele concordasse em falar. Ele nos
informou sobre o tudo o que sabia sobre o The Counteragent, o que
no caso foi pouco, pois ele não fazia parte da ligação, apenas
foi contratado algumas vezes por seus agentes, para alguns serviços.
–– O Sr. Oransky informou todos os contatos que ele fez
com o Counteragent. – completou Barbara – O que nos chamou a
atenção foi o fato de ele ter trabalhado em conjunto por mais de
três vezes com este homem – a foto de um homem vestindo terno e
gravata, cabelo arrumado para o lado, óculos escuros e bem bonito
apareceu nos monitores – Julian Simons. O Sr. Simons, ao que
parece, tem um grande nível de acesso ao Counteragent, e contatou
Oransky para diversos serviços táticos e militares, todos atos
terroristas.
–– Checamos todos os nomes dos contatos de Oransky nos
arquivos de perfis da CIA e do CSN. – falou Sarah – Nenhum
obteve resultado. Contatos fora da ativa. Provavelmente os que
ainda estão ativos usaram codinomes. Porém, conseguimos rastrear
o Sr. Simons. Parece que ele fará uma reunião com alguns
contatos em Sydney, Austrália. Hoje, às 21h, horário local.
–– Muito bem. – disse Nick – Barbara, Cannon. Vocês
irão para Sydney para monitorar o encontro. Se Simons vai fazer
uma reunião, eu quero estar à par do que é. Preparem-se.
Barbara e Cannon concordaram, enquanto Tom, Sarah e Nick
levantavam-se para sair da sala.
Do lado de fora, Sarah anotava algumas coisas no relatório
da missão de Moscou, que passaria ao CSN.
–– Olá, querida. – disse Cannon, abraçando-a – O
que está fazendo?
–– Estou fazendo o briefing do relatório para o
CSN. – respondeu ela – É estranho. Você não informou quais
as armas que Karrigan e o tenente Karam usavam.
–– Sim, eu sei. – falou ele – Afinal, o relatório
é sobre a missão, isso é apenas um detalhe.
Sarah suspirou.
–– Sim, mas os detalhes para mim importam. – falou
ela.
–– Como? – perguntou ele, surpreso com a reação
dela.
–– Sim, o CSN vai gostar de saber quais foram as armas.
– disse ela.
–– Você está brincando? – perguntou ele, rindo –
As armas, meros detalhes...
–– Cannon! – falou ela – Assim como você passa as
informações aos seus superiores, eu tenho que passar para os
meus. O CSN gosta de estar à par de todos os detalhes.
–– Desculpe, Sarah, mas eu nunca fui questionado pelos
meus relatórios. – disse ele.
–– Cannon, preciso que me conte todos os detalhes, sem
me esconder nada. – disse ela – Me informando toda a verdade.
–– Sarah, o meu trabalho... – disse ele, irritado.
–– Quanto melhor você fizer o seu trabalho, melhor vou
fazer o meu. – interrompeu ela, também irritada.
Ele a encarou.
–– Eram M15 semi-automáticas. – respondeu ele,
contrariado e irritado – Feliz agora?
Sarah o encarou. Logo, a expressão no rosto dela mudou.
–– Querido, me desculpe. – falou ela – Brandon está
me pressionando. Vou ter que me encontrar com ele em Washington, e
ele quer resultados.
Cannon mudou a expressão.
–– É, eu sei. – falou ele – Mas Brandon terá que
esperar. Até que a CIA consiga algo palpável. Iremos para
Sydney, e vamos ver o que podemos descobrir.
Ela sorriu.
–– Obrigada por compreender.
SYDNEY...
Barbara caminhava, chegando ao local. Usava uma camiseta
curta e uma calça, ambas de couro. O cabelo estava comprido até
a cintura e ondulado. Os olhos pintados de preto forte, e os lábios
vermelhos. Finalmente ela parou na porta, observando a boate na
qual Simons se encontraria com seus contatos. Um segurança a
barrou na porta. Ela abriu os braços, e ele percorreu o detector
de metais pelo corpo dela, autorizando a entrada em seguida.
–– Estou dentro, Escoteiro. – disse ela.
–– Muito bem, BlueBird. – falou Cannon –
Reconhecimento visual?
Barbara olhou ao redor.
–– Ainda não. – disse ela – Estou indo até o bar.
Ela caminhou, procurando por Simons.
–– Qual o horário do encontro? – perguntou ela.
–– 21h em ponto. – falou Cannon pelo comunicador.
Ela olhou no relógio.
–– Já deviam estar aqui... – disse ela, estranhando.
Logo, porém, ela olhou para cima. Três homens carregando
maletas pretas e vestindo ternos estavam no mezanino, passando.
–– Há um movimento. – disse ela – Acho que podem
ser os contatos de Simons.
Barbara levantou-se.
–– Vou me aproximar. – disse ela.
–– Seja cuidadosa, BlueBird. – disse ele – Não
estrague o disfarce.
–– Não se preocupe. – disse ela, indo em direção
das escadas.
Porém, enquanto subia, um homem careca, gordo e com uma
cara não amigável se aproximou, segurando-a pelo braço.
–– Ei, moça. – falou o homem – Você não pode
subir.
Barbara virou-se para ele.
–– Eu sou convidada. – disse ela.
–– Não, moça, apenas os senhores ali. – disse ele.
Ela virou o olhar para cima novamente.
–– Desculpe-me, mas vou entrar.
Barbara já ia subindo, mas o homem a segurou com força.
–– Não! – disse ele, enquanto ela tentava se soltar
– Eu disse NÃO!
Barbara suspirou com raiva, já se preparando para
ataca-lo. Porém, Simons surgiu no topo da escada.
–– O que está havendo aí? – perguntou ele.
Barbara virou o rosto para ele. Simons a encarou, como se
tentasse reconhece-la com dificuldade. Finalmente, esboçou um
sorriso. Ele, então, desceu as escadas, aproximou-se dela e,
segurando-a pelos braços, beijou-a nos lábios. Barbara ficou
surpresa quando Simons a olhou nos olhos.
–– Jessica. – disse ele, finalmente – Por que a
mudança de visual? Eu quase não a reconheci.
Ela ainda estava surpresa, mas sorriu, disfarçando.
–– Mas eu gostei. – continuou ele – É bom ver você,
Jessica.
Ela sorriu de volta.
–– É bom te ver também. – falou, por fim.
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| ACT
TWO |
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Cannon falava com Nick pelo comunicador.
–– Quem é essa Jessica? – perguntava Nick para
Cannon.
–– Não faço a mínima idéia. – dizia Cannon –
Ela nunca usou esse codinome.
–– Não existe nenhuma menção a esse codinome nos
arquivos da Fortaleza? – perguntava Nick.
–– Nenhuma. – respondeu Cannon.
Nick suspirou.
–– Então parece que no tempo que Barbara esteve detida
pelo Counteragent... ela usava este codinome. – concluiu Nick.
–– Acha que ela estava na ativa? – perguntou Cannon.
–– O cara acabou de chama-la de Jessica, Cannon. –
falou Nick – Esta é uma possibilidade. Continue monitorando.
Preciso falar com algumas pessoas.
–– Entendido. – disse Cannon, enquanto Nick saia da
linha.
–– Por onde você andou, Jessica? – perguntou o
homem.
–– E esta não é a pergunta do dia? – disse Barbara,
num tom irônico, enchendo uma taça de champagne.
–– O que é que há? – disse o homem – Eu esperava
uma resposta melhor de você.
–– Uma garota tem seus segredos. – disse ela,
encostando-se à mesa e bebendo o champagne.
–– Senti saudades, Barbara. – disse o homem –
Saudades de trabalhar com você.
–– Porque acha que voltei? – perguntou ela.
Ele riu.
–– Você é maluca mesmo, não é? – disse ele, rindo
– A pergunta é: como me encontrou aqui?
–– Porque não me diz? – falou ela – Talvez você
possa me dizer porque não me chamou para este serviço.
–– Qual é, Jessie! – falou ele – Você sumiu! Da
última vez que te vi, me deixou com o coração partido. O serviço
que temos para fazer é importante.
–– Mais um motivo para me incluir. – falou ela – Eu
alguma vez já te decepcionei?
–– Não precisamos de mais um assassino no grupo. –
falou ele – Precisamos apenas de reforço.
–– Sou uma garota com muitos talentos. – disse ela.
Ele sorriu.
–– Sou a pessoa certa pro trabalho. – disse ela.
–– Muito bem. – falou ele – Você está dentro. Mas
os nossos contatos estão nos aguardando. Devemos ir.
–– De quanto estamos falando? – perguntou ela –
Quanto dinheiro?
–– 500 mil dólares para cada. – falou ele – Mas só
se o serviço for concluído por completo.
–– Vai ser. – falou ela – Estou dentro.
WASHINGTON, D.C.
Sarah caminhava por um parque, até sentar-se em um banco,
ao lado de Daves Brandon. Ela entregou os relatórios disfarçadamente
e sem fazer contato visual com ele, fingindo olhar para o
horizonte.
–– Aí estão os resultados. – falou ela – A CIA
está cooperando.
–– E onde estão as pistas, agente Essen? – perguntou
ele, irritado – Isso é burocracia! Para mim, quero ver
resultados, de fato!
–– Estamos trabalhando nisso, senhor. – falou Sarah,
constrangida – A CIA está verificando o máximo possível de
informações sobre o Counteragent. Foram enviados agentes a
Sydney para interceptar um encontro.
–– E quanto ao vídeo? – perguntou Brandon.
–– Estava corrompido. – falou ela – De nada
adiantou.
–– Sra. Essen, este encontro foi uma perda de tempo.
– falou Brandon, levantando-se do banco em seguida e devolvendo
para ela o relatório – Da próxima vez que nos encontrarmos, eu
quero mais resultados. Faça com que a CIA saiba disso. Ou teremos
provas concretas sobre o Counteragent e seu funcionamento, ou
colocarei a CIA sob jurisdição. E a senhora não será mais útil
então.
Daves Brandon saiu do parque, irritado, enquanto Sarah o
olhava com fúria e engolia a seco.
ESCRITÓRIO DA CIA
Nick caminhava pelos corredores, quando finalmente
encontrou com Thomas, que checava alguns arquivos em seu
computador.
–– Thomas, precisamos conversar. – disse Nick – É
sobre Barbara.
Tom assustou-se.
–– O que houve? – disse ele – Aconteceu alguma
coisa?
–– Não, ela está bem. – falou Nick – Pelo menos,
ainda.
–– O que está havendo? – perguntou Tom, impaciente.
–– Parece que Barbara conseguiu se juntar ao time de
Simons na Austrália. – falou Nick – Aparentemente, os dois já
se conheciam. Ele a chamou de “Jessica”.
Tom ficou surpreso.
–– Cannon está no local para dar suporte. – falou
Nick – Thomas, eu preciso saber: o que está havendo?
Thomas olhou-o, fingindo expressão surpresa.
–– Como assim? – disse ele.
–– Tom, eu não sou bobo. – falou Nick, impaciente
– Cannon me falou a respeito da conversa entre Barbara e o
Tenente Karam. Sobre eles se conhecerem. E sobre Kamarov.
–– Não sei do que está falando. – disse Tom.
–– O que está me escondendo, Thomas? – disse Nick
– Lembre-se: qualquer que seja o problema, é melhor que eu
saiba. É melhor que eu saiba por você do que por outros meios.
É melhor que isso caia nas mãos de alguém confiável.
Thomas voltou o olhar para ele, e então riu.
–– Nicholas, isso é meio paranóico. – falou ele –
Sim, claro. Se eu souber de algo, lhe aviso. Vou falar com meus
contatos.
Tom saiu, enquanto Nick o encarava.
Os homens aproximaram-se da mesa na qual Barbara estava,
bebendo um drink.
–– Jessica... – chamou Simons – Estes são meus
homens: Winchester e Javier.
–– Olá. – disse ela.
–– Agora entendo porque você a aceitou no grupo. –
falou um dos homens, Javier.
–– Não há tempo para papo furado. – falou
Winchester, irritado e com um forte sotaque francês.
–– Eu sei. – disse Simons – Está pronta?
Barbara levantou as sobrancelhas.
–– Para quê? – perguntou ela.
–– Como? – disse Simons – Achei que dizia que
sempre estava pronta pra qualquer coisa.
–– Sempre estou. – disse ela – Mas para tanto
dinheiro eu quero saber qual o serviço.
–– Armas biológicas. – falou Simons – Há um
centro em Madagascar. Estudos para curas de vírus como HIV, gripe
asiática, Ebola. Nossos supervisores têm interesse por algumas
amostras de um carbúnculo específico: Bacillus anthracis.
–– Antrax. – disse Barbara.
–– Exatamente. – falou Simons – Há mais ou menos
um ano, um homem estava desenvolvendo um projeto químico-biológico
para acelerar o contágio de doenças infecto-contagiosas, como o
Antrax. Com esse projeto, poderíamos tornar o Antrax mais
contagioso, e entregar uma nova arma biológica muito mais potente
para o Counteragent.
–– Então a missão é conseguir o Antrax e, depois,
conseguir o projeto.
–– Garota esperta. – falou Simons sorrindo – A
primeira etapa da missão é conseguir as amostras em Madagascar.
Conseguir o projeto vai ser um pouco complicado, e é por isso que
te escolhi para a missão. Parece que havia um homem, um assassino
programado pelo Counteragent, que roubou o projeto. Porém, parece
que a programação de assassino dele entrou em curto, ou alguma
coisa assim. O cara enlouqueceu, escondeu o protótipo em algum
lugar e se trancafiou em um sanatório na Romênia. Primeiro,
temos que pegar as amostras, e depois nos infiltraremos no sanatório
para tentar fazer o maluco lá falar onde ele escondeu o projeto.
–– No momento, temos que nos preocupar com a invasão
de Madagascar. – disse Javier – Aqui estão os detalhes técnicos.
Estaremos te esperando amanhã em um esconderijo seguro, está
tudo anotado nesta pasta. Estude. Vamos precisar da sua habilidade
para a infiltração.
–– Entendi. – disse Barbara, pegando a pasta
estendida por Javier.
–– Até amanhã, querida. – falou Simons.
Logo, Barbara caminhava em direção ao jatinho, no
aeroporto. Foi quando encontrou Cannon. Ele a encarou.
–– Vamos. – disse ela, sem dizer qualquer palavra,
entrando no avião.
Ela estudava os papéis que haviam dado para ela. Cannon a
encarava, à sua frente.
–– Simons está atrás de uma amostra de Antrax. –
falou Barbara – Vão roubar do centro de pesquisas farmacêuticas
de Madagascar. Eles precisam entregar uma encomenda para o
Counteragent. Tornar o Antrax mais contagioso.
–– O Antrax inalado já é último nível de contágio.
– falou Cannon – Como poderiam torna-lo mais contagioso?
–– Com um projeto roubado pelo The Counteragent. –
disse ela – Parece que existe um aparelho que é capaz de
condensar os bacilos e torna-los mais contagiosos. Poderiam criar sprays
com o vírus.
–– Meu Deus... – falou Cannon – Então eles nem
podem conseguir as amostras!
–– Não há perigo. – disse Barbara – A primeira
etapa da missão é conseguir o Antrax. A segunda é recuperar o
projeto. Não podemos interromper a missão, não há perigo de
Simons adquirir as amostras, pois só vai entrega-las quando
estiverem modificadas. O melhor é manter a missão, para
passarmos à segunda fase e conseguirmos recuperar o projeto, para
destruí-lo. Ele seria uma grande ameaça nas mãos do
Counteragent.
–– Têm razão. – falou Cannon.
Então, ambos ficaram calados, e Cannon ficou observando-a.
Ela voltou o olhar para ele.
–– Olha, sei o que está pensando. – disse ela –
Sei que você acha que esta operação é perigosa demais pra mim.
–– É, eu acho. – falou ele – Mas não era isso que
eu ia dizer.
–– O quê, então? – perguntou ela.
–– Eu nunca trabalhei com ninguém que improvise melhor
do que você. – falou Cannon – Mas quando Simons a chamou de
Jessica... não pareceu tão surpresa.
–– Cannon... – tentou dizer ela.
–– Diga-me o que está acontecendo! Primeiro o tenente
Karam, agora Julian Simons. – disse Cannon – Sei que não
somos mais o que éramos. Mas mesmo antes, nunca tivemos segredos
um para o outro, profissionalmente falando. Eu ainda estou do seu
lado.
Ela o encarou.
–– Você tem razão. – disse ela, cordialmente – Não
somos mais o que éramos. Mas acredite quando eu digo que estou te
fazendo um favor te mantendo fora disso.
–– Não, não vou aceitar essa resposta. – disse ele.
–– Vai ter que aceitar! – disse ela – Não posso
traçar uma linha separando o que é pessoal e o que é
profissional neste trabalho. Isso tirou dois anos da minha vida!
Tudo é pessoal!
Cannon a encarou.
–– Por mais que eu queira confiar em você... – disse
ela – As responsabilidades que você tem agora não me permitem.
–– Responsabilidades? – disse ele, irritado – Do
que está falando? Sarah?
Barbara confirmou com o olhar.
–– Porque? – perguntou ele – Pelo fato dela ser do
CSN ou pelo fato de ser minha esposa? Ou a diferença também é
irrelevante?
Barbara o encarou, balançando a cabeça.
–– Cannon, não estou te punindo. – falou ela – Você
pensa que sim. Mas não estou. Simplesmente, não posso. Não
agora. Não com você. Não quero que você tenha
responsabilidades sobre mim também. Agora, você é um homem
casado, Cannon. E quer queira aceitar, quer não, isso ainda é
doloroso para mim. Eu entendo que tenha se casado, e fico feliz
por você. Mas não posso... Simplesmente não posso.
Cannon a encarou.
ESCRITÓRIO DA CIA
Nick caminhava pela CIA. Logo, viu Thomas abrir alguns
arquivos particulares em seu computador, levantar-se e sair da
mesa, fechando os programas. Nick aproximou-se. Foi quando digitou
o nome de usuário de Thomas: CREFT, T. Nick abriu outro programa.
O programa, lentamente, abriu a senha que Thomas tinha digitado há
pouco. Nick rodou o programa, descobrindo a senha. Finalmente,
Nick conseguiu acesso aos arquivos particulares e restritos de
Tom. Foi quando descobriu um estranho vídeo. Abriu-o.
No vídeo, um homem estava sentado à uma mesa, quando uma
mulher loira entrou, de costas para a câmera. Ela cumprimentou o
homem, que saiu do ângulo de visão. Logo em seguida, a mulher
virou o rosto: era Barbara.
Nick assustou-se. O segredo havia sido descoberto.
No escritório da CIA, Barbara e Thomas conversavam, na
sala de reuniões, sozinhos.
–– Cannon está me questionando sobre Jessica. –
falou ele – Tentei colocar panos quentes, mas você disse alguma
coisa para ele que o deixou instigado.
–– Eu só falei que não podia falar. – falou Barbara
– Que não queria envolve-lo.
–– E isso só despertou o interesse dele. – falou
Tom.
–– O que despertou o interesse dele foi Julian Simons
me chamar de Jessica e me beijar como sua namorada. – falou ela
– Não posso evitar que o Cannon fique curioso.
–– Acho que não preciso lembra-la dos riscos que você
será exposta se Sarah e o CSN ligarem você ao assassinato de
Kamarov. – disse Tom.
Barbara abaixou a cabeça.
–– Eles iriam submeter você a procedimentos cirúrgicos,
invasivos e dolorosos com a desculpa de te fazer recuperar a memória.
– falou Tom.
–– É, talvez eles façam isso. – disse Barbara – E
talvez seja melhor desta forma. Talvez eu já devesse ter me
entregado, quando cheguei, a eles. Talvez a possibilidade de
descobrir alguma coisa seja válida. Porque, por mais doloroso que
possa parecer, não pode ser tão doloroso quanto não saber.
–– Pode, sim. – disse Tom – Venha comigo.
Logo, os dois chegavam a uma cela totalmente acolchoada,
com uma porta de aço e apenas um pequeno vidro reforçado onde se
podia ver o movimento lá dentro. Um homem com os cabelos raspados
e muitos ferimentos na cabeça estava lá dentro. Amarrado, usava
uma camisa de força.
–– Este é George Pardieu. – falou Tom – Francês,
estava infiltrado em uma agência terrorista na época. Perdeu a
memória por pouco mais de um ano. O CSN, quando descobriu que ele
havia participado de vários assassinatos durante o tempo
desaparecido o obrigou a participar do programa. Ele nunca mais
voltou o mesmo. Houve danos cerebrais permanentes. As lembranças
recuperadas foram tão avassaladoras que ele entrou em choque.
Nunca mais se recuperou.
Barbara observou o pobre homem: parecia um alucinado.
–– É assim que você quer ficar, Barbara?
Barbara voltou o olhar para ele.
|
| ACT
THREE |
|
Barbara e
Thomas voltavam para a sala de reuniões. Foi quando encontraram
Nick e Cannon, esperando.
–– O que está havendo? – perguntou Thomas.
Nick o encarou.
–– Que bom que estão aqui, estava procurando por vocês.
– disse Nick – Cannon já está aqui, então podemos falar.
–– Falar sobre o quê? – perguntou Barbara, receosa.
–– Por favor, fechem a porta. – disse ele.
Thomas obedeceu e fechou, também temeroso.
–– Muito bem. – disse Nick – Já que estamos há bastante
tempo em rodeios, vou direto ao assunto e poupar o tempo perdido.
Thomas, eu acessei seus arquivos particulares. Eu instalei no computador
um arquivo-espião, e consegui acessar sua senha. Sabia que estava
escondendo algo de mim, mas não esperava que fosse algo tão grave.
Eu vi o vídeo que identifica claramente Barbara como a assassina
de Andrey Kamarov.
Todos se surpreenderam. Tom ficou sem palavras.
–– Mas... como... – tentou dizer ele.
–– E, obviamente, pela reação de Barbara, eu acredito
que todos aqui estavam cientes disso, e esconderam de mim. – falou
Nick.
Cannon suspirou, mas nada disse.
–– Cannon não sabia. – falou Barbara.
–– Sr. Harris, não estava à par da situação? – perguntou
Nick.
Ele olhou para Barbara antes de voltar o olhar para Nick e
responder.
–– Não, senhor. – falou ele.
–– Parece que, desde o seu retorno, vocês, Thomas e Barbara,
conspiraram para ocultar esta informação da CIA e do CSN. – falou
Nick.
–– Ao que aprece, Sr. Worm... – disse Tom, irritado
– É que nem a CIA, nem o CSN nos deram motivo suficiente para acreditarmos
que informar o fato seria seguro para Barbara.
–– Eu entendo, Tom. – disse Nick – E concordo com
você, que como Barbara não tem qualquer lembrança do
assassinato, a participação dela no assassinato pode não ter
sido voluntária. Seria prematuro julgar, sem que você tivesse
qualquer lembrança do incidente.
Barbara suspirou, encarando o pai.
–– Porém, estamos muito comprometidos na operação
contra o The Counteragent, e informar isso ao CSN seria assinar
uma sentença para que Barbara fosse submetida a uma cirurgia
cerebral de recuperação de memória. – falou Nick – Não
podemos permitir que o Counteragent coloque as mãos em armas biológicas,
portanto, Barbara vai se encontrar com Julian Simons normalmente,
e seguir com o disfarce.
Cannon ouvia a tudo, atônito, ainda digerindo as informações.
–– Porém, Tom e Barbara, se eu descobrir que estão me
escondendo mais alguma informação... – disse Nick em tom de
ameaça – Vocês terão que arcar com as conseqüências de seus
atos. Considerando meu julgamento em partilhar essas informações
com o CSN... por ora, vou manter tudo sob sigilo. Isso quer dizer,
Sr. Harris, que está proibido de discutir esse assunto com sua
esposa.
Cannon fez uma expressão de completo desacordo, mas não
manisfestou-a verbalmente.
–– Você entendeu? – perguntou Nick.
–– Sim, senhor. – disse Cannon.
Barbara e Tom saiam no corredor.
–– O que faremos agora? – disse ela – Não deveríamos
manter o segredo entre nós?
–– Eu deveria ter tido mais cautela. – falou Tom –
Nicholas conseguiu aproveitar-se da situação para descobrir o
nosso segredo. Creio agora, porém, que esta foi a melhor saída.
–– Melhor!? – disse Barbara, surpresa – Como pode
ser melhor? Agora Nick sabe!
–– Sim, e por isso teremos o apoio da CIA para
acobertar tudo do CSN. – falou Tom.
–– Agora, Nick está impedindo Cannon de contar isso
para Sarah. – disse Barbara – É claro, ou eles me afastariam.
Mas isso era a última coisa que eu queria, envolver Cannon.
–– Cannon está ciente deste tipo de situação
enquanto for um agente da CIA. – falou Tom.
–– Sim, eu sei! – falou Barbara – Mas o que eu não
quero neste momento é ser responsável por uma briga no casamento
de Sarah e Cannon.
–– Claramente, esta é uma preocupação da qual eu não
compartilho. – falou Tom, saindo em seguida do local.
MADAGASCAR...
O avião de Barbara e Cannon flutuava nos ares. Barbara
estava se preparando, vestindo-se como Jessica. Cannon estava
monitorando alguma coisa no computador, calado. Barbara virou o
olhar para ele.
–– Cannon... – falou Barbara – Eu sinto muito. Não
era minha intenção que você tivesse que guardar segredos da
Sarah.
Ele virou-se para ela.
–– Mas agora eu guardo. – disse ele – E eu ainda
acho que é loucura você voltar para um homem que a conhece como
outra pessoa.
–– Eu sei. – disse Barbara – E se fosse só para
descobrir informações sobre o Counteragent, eu concordaria com
você. Mas eu preciso saber onde eu estive, e quem é Jessica. O
que eu fiz.
Cannon abaixou a cabeça, sem dizer qualquer coisa.
–– Aqui têm um chip rastreador. – falou ele –
Assim que conseguirem as amostras de Antrax, coloque o chip nelas.
Assim, monitoraremos caso Simons esteja pensando em trai-la.
Barbara pegou o chip, preparando-se para sair.
–– Tenha cuidado. – disse Cannon.
Ela sorriu.
–– A gente conversa quando tudo isso acabar.
Logo, ela encontrava-se com Simons, no esconderijo marcado,
um quarto de hotel muito luxuoso. Ele sorriu ao vê-la.
–– Olá, querida. – falou ele – E então, está
preparada.
–– Como sempre. – disse ela.
Ele aproximou-se, beijando-a nos braços. Barbara sorriu.
–– Estava com saudades, Jess. Saudades do seu corpo.
–– É... – falou ela, empurrando ele na cama –
Abaixa a guarda, Julian. Quero estar concentrada para a missão.
Ele sorriu.
–– Tem razão. – disse ele – Depois, teremos todo o
tempo que quisermos.
Logo, Barbara estava num furgão, com Simons, Javier e
Winchester. Simons virou o olhar para ela.
–– Muito bem. – disse ele – As amostras estão no
segundo piso. A única entrada é pelo elevador de cargas ou pelas
escadas, mas as escadas estão patrulhadas. Você entrará como
uma médica, Dra. Juliet
Manson. Seu disfarce está cadastrado no banco de dados,
mas terá que tomar cuidado para não ser vista nas dependências
do segundo andar. Winchester estará a esperando para receber a
maleta no 13º andar. Tome cuidado com o movimento, pois ao lado
está um hotel turístico de alto luxo, que com certeza chamará a
polícia local em caso de qualquer anormalidade. Aqui está a
maleta de segurança para carregar as amostras. Vocês têm 15
minutos.
Barbara o encarou.
–– Estarei de volta em 10. – disse ela.
Simons riu.
Logo, Barbara entrava, com o cabelo preso e vestindo um
jaleco de médica e óculos e carregando a maleta branca. Logo,
aproximou-se de uma área patrulhada por seguranças. Esguiou-se
para um pequeno corredor sem que ninguém visse, que dava acesso
ao elevador de serviço. Barbara correu, tirando de baixo do
jaleco uma pequena arma, que prendeu à cintura. Logo, estava
abrindo com as mãos a porta do elevador de serviço. Acima, o
elevador subia. Barbara sacou a arma presa à cintura, atirando
contra o elevador acima: um arpão foi lançado, prendendo-se ao
elevador, fazendo Barbara subir pelo poço do elevador. Logo,
estava no segundo andar, e pulou, segurando-se à porta e
abrindo-a em seguida. Finalmente, entrou no corredor. Desviou-se,
evitando os seguranças, até chegar à câmara de pesquisas de
doenças. Lá, colocou uma pequena máscara, disfarçando-se.
Entrou, passando pela descontaminação, e passou pelos médicos
que pesquisavam as doenças, indo para uma pequena sala de
armazenamento ao fundo. Logo, encontrou as quatro amostras de Bacillus
anthracis que precisava coletar. Colocou-as na maleta de
biosegurança, com cuidado. Logo, estava saindo do local, tirando
a máscara e indo em direção do elevador de serviço.
Um dos seguranças, porém, estranhou a presença dela,
indo em direção dela. A sorte foi que o elevador chegou, e
Barbara pode subir.
Logo, estava 13º andar. Caminhou, encontrando Winchester,
que vinha em sua direção. A maleta passou para as mãos dele.
–– Estou com a maleta, Simons. – disse Winchester –
Jessica está saindo.
Barbara olhou para trás, e percebeu um segurança a
seguindo. Ela deu a volta, tentando despista-lo, mas então
percebeu que realmente ele estava em seu encalço.
–– Droga! – disse ela, correndo e entrando em uma das
salas, trancando a porta.
Ela foi até a varanda, procurando uma saída: era impossível
pular, uma queda de 13 andares mataria qualquer um. Logo, o
segurança batia à porta. Barbara continuava procurando uma saída,
quando voltou para a varanda e observou: a grande piscina do hotel
ao lado seria funda o suficiente para não mata-la. Era a única
saída. Barbara tirou o jaleco e a roupa, ficando apenas com as
roupas íntimas, ambas pretas. Olhou para baixo. Neste momento, o
segurança tentava arrombar a porta. Barbara suspirou fundo, subiu
na grade da varanda e saltou.
Durante o vôo livre, Barbara deixou-se levar. Finalmente,
mergulhou na piscina do hotel, indo até o fundo. Saiu dela tranqüilamente,
no hotel. Algumas pessoas do hotel olharam para ela, até que um
dos homens lhe entregou um roupão. Ela sorriu e agradeceu.
Enquanto isso, Simons observava a ação, desacreditado.
–– Ela é boa. – disse Javier – Muito boa.
Simons sorriu.
–– Sim, ela é. – disse ele.
–– Ela é tão boa a ponto de enganar você. – falou
Javier.
Simons virou o olhar.
–– Do que está falando? – perguntou.
Javier
entregou uma foto a ele: era de Barbara e Cannon juntos, no
aeroporto.
–– Eu sabia que não poderíamos confiar nessa Jessica.
– disse ele – Então, eu investiguei. O cara que está com
ela... Cannon Harris. Ele é CIA.
Simons o encarou.
–– Tem certeza? – disse Simons.
–– Sim, eu chequei.
Simons irritou-se, pensando em seguida sobre o que faria.
–– Achem o rapaz. – disse Simons – Se ele estiver
com ela, deve estar perto. E deixe Jessica comigo. Vou descobrir
quem ela é de verdade.
–– Certo. – falou Javier.
Logo, ela voltava para o furgão. Simons virou o olhar para
ela, enquanto Winchester também entrava no furgão.
–– Ainda deu tempo de dar um mergulho. – falou ela.
Simons sorriu.
–– Muito bem. – falou ele – Vamos direto ao
aeroporto. Temos um jato articular nos esperando.
Barbara também sorriu.
|
| ACT
FOUR |
|
Já estava escuro. O furgão estava indo em direção do
aeroporto, por uma estrada de terra, à beira de um barranco.
Havia um carro à frente, e o furgão seguia atrás. Logo, Simons
colocou a mão no ombro de Barbara.
–– Sabe, Jessie... – falou ele – Eu estive
pensando... No tempo em que ficou desaparecida... Onde esteve?
Porque foi embora?
Ela virou o olhar para ele.
–– Por que? – perguntou ela – Sentiu minha falta?
Ele aproximou-se dela, tirando a camisa e beijando o pescoço
dela.
–– Mas é claro. – falou ele, beijando-a na boca em
seguida.
–– E do que sentiu falta? – perguntou ela.
–– Bom, de muitas coisas. – falou ele – Você é
uma mulher com muitas qualidades.
–– Como quais, por exemplo? – perguntou ela,
virando-se em seguida para ele – Me diga, Julian: quando você
me viu pela primeira vez, o que pensou?
Ele a olhou, e sorriu.
–– Você quer dizer, na Argélia? – perguntou ele.
Ela sorriu.
–– Sim. – disse ela.
–– Você se lembra porque quase morremos naquele
maldito abrigo? – falou ele.
Ela hesitou por um momento, beijando-o em seguida.
–– Porque não conseguíamos parar de pensar um no
outro. – ela finalmente respondeu.
Ele sorriu.
–– Sim... – disse ele – Eu pensei comigo mesmo: “
O que esta mulher tem de linda... ela tem de perigosa.”
Barbara encarou-o. Foi quando o furgão parou.
–– Por que paramos? – perguntou ela, hesitante.
A porta do furgão se abriu. Winchester agarrou-a,
puxando-a para fora e segurando-a violentamente pelos braços.
–– O que diabos está havendo, Simons? – perguntou
ela.
–– Estou te dando uma chance de explicar-se antes de
mata-la. Eu quero saber, querida... – disse ele, tirando uma
faca e segurando-a pela cabeça, encostando a faca no pescoço
dela – Para quem você está trabalhando.
Ela ficou irritada.
–– Estou trabalhando para mim mesma, seu filho-da-mãe!
– gritou ela.
–– É mesmo? – disse ele, virando o rosto dela para a
foto que segurava – Então me diga quem é este? E não minta
para mim, ou eu vou mata-la!
Ela hesitou.
–– É meu fornecedor! – gritou ela.
–– Seu fornecedor? Qual o nome dele?
Ela virou-se para ele.
–– Cannon Harris! – gritou ela – Droga, não
acredita em mim?
–– Não, querida, eu não acredito. – disse ele –
Porque não me contou que estava contatando ele?
–– Porque eu não lhe devo explicações dos meus negócios,
Julian! – gritou ela – Nós não temos nada além de diversão.
Mas, se quer mesmo saber, ele é perito em sistemas de segurança!
Eu o contatei pelo material que poderia nos dar para a missão no
sanatório na Romênia! É só isso.
Simons se afastou, virando as costas.
–– Ele é CIA. – disse Simons.
Barbara ficou surpresa, não pelo fato de Cannon ser da
CIA, mas pelo fato de Simons saber. Simons virou o olhar para ele.
–– Surpresa, querida? – perguntou ele.
–– Mas é claro que sim! – disse ela – Isso é um
absurdo, não é possível que ele seja...
–– Nós checamos, Jessica! – falou ele – Ele é da
CIA.
Barbara o encarou.
–– Muito bem. – disse ela – Então vamos
encontra-lo. Vamos terminar com o problema.
–– Na verdade... – disse Simons – Já cuidamos
disso.
Ele fez um sinal para Javier, que trouxe Cannon amarrado e
com o rosto machucado.
–– Ele estava seguindo nossos rastros. – disse Simons
– Comprometendo a missão!
E então, Simons deu um forte soco no rosto de Cannon.
–– Você não sabia que ele era da CIA? – perguntou
Simons.
–– É claro que não. – falou ela.
Simons pensou um pouco.
–– Solte-a. – disse ele, finalmente.
Barbara soltou-se, empurrando Winchester.
–– Ele pode ter nos comprometido. – falou Simons.
–– É impossível. – disse ela – Eu o encontrei
pouco antes de nossa missão. Não houve tempo para falar com os
supervisores dele.
–– Muito bem. – falou Simons, apontando a arma para a
cabeça de Cannon – Vamos eliminar o problema, então.
Barbara olhou a cena que estava prestes a acontecer.
–– Espere! – disse ela.
Simons abaixou a arma, virando o olhar para ela. Para ele,
estava confirmado que ela era traidora neste momento.
–– Me dê sua faca. – pediu ela à ele.
Ele ficou surpreso.
–– Eu quero fazer isso. – disse ela – Se ele
me traiu, eu quero mata-lo. Da minha maneira.
Simons encarou-a.
–– Me dê a faca. Eu quero fazer.
Simons obedeceu.
–– Muito bem, querida. – falou ele.
Os homens a observavam, com as armas apontadas. Ela
aproximou-se de Cannon, olhando-o nos olhos.
–– Você nunca deveria ter me traído. – disse ela.
E, então, ela segurou-o pelos ombros e cravou a faca na
barriga dele, tirando-a em seguida. Com remorso, ela empurrou-o,
fazendo rolar pelo barranco até cair lá embaixo. Ela ainda
observou-o cair e ficar inconsciente lá embaixo.
–– Muito bem, querida. – disse ele – Temos que ir.
Ainda temos que viajar para a Romênia.
Barbara virou-se, indo em direção do furgão. Ela
entregou a faca para Simons.
–– Desculpe ter desconfiado de você, querida. –
disse ele.
Era deu um sorriso irônico para ele.
–– Agora eu me lembro... – disse ela – Foi por isso
que fui embora.
Ela foi em direção do furgão, sentando-se e virando o
olhar para ele.
–– Vá no outro carro, não quero sua companhia. –
gritou ela, batendo a porta.
Então, quando finalmente estava sozinha, chorou.
Logo, Barbara estava no quarto de hotel. Simons estava atrás
dela.
–– Jessie... – dizia ele – Vamos conversar!
–– Temos um tempo para cumprir esta tarefa, Simons! –
gritou ela – Conversaremos quanto ao meu pagamento, mais nada.
Vou tomar um banho.
Barbara entrou no banheiro e bateu a porta.
–– Maldição! – disse Simons, virando-se em seguida
para Javier – Seu imbecil! Você me fez desconfiar dela!
Agora, ela não quer mais falar comigo.
No banheiro, Barbara abriu o chuveiro, mas não entrou.
Pegou o celular, discando em desespero para algum número, com lágrimas
escorrendo dos olhos.
–– Alô? – a voz do outro lado respondeu.
–– Pai! – disse ela – Meu Deus, pai, precisa me
ajudar!
–– O que está havendo, Barbara? – perguntou Tom.
–– É o Cannon! – disse ela, chorando – Eles
descobriram sobre ele, e meu disfarce estava comprometido! Eles
iam mata-lo, pai... Então, eu... Eu o esfaqueei, pai! Oh, meu
Deus! Ele vai sangrar até a morte!
–– Barbara, acalme-se! – disse ele – Você não
teve escolha! Se não fizesse isso, eles iam mata-lo, certo?
–– Certo! – concordou ela, limpando as lágrimas.
–– Agora me diga: onde ele está?
–– Eu não sei! – falou Barbara – Mas eu coloquei
um chip de rastreamento nele, e enviei o sinal! Pai, precisam
encontra-lo! Eu não posso fugir, ou Simons vai conseguir o
aparelho para o vírus!
–– Acalme-se, Barbara. – disse Tom – Vamos encontrá-lo.
–– Jessica! – chamou Simons.
–– Pai, preciso ir! – disse ela, desligando e
limpando as lágrimas em seguida.
–– Já estou indo, Julian!
ROMÊNIA...
Barbara era carregada para dentro do sanatório por Javier.
Logo, Javier encontrou-se com o dono do sanatório.
–– Dr. Pérez! – falou o dono do sanatório para
Javier, que estava sob disfarce de médico – Então, você
trouxe a paciente.
–– Sim. – disse Javier – A Srta. Disiamillo sofre
de transtorno bipolar. Ela fazia um tratamento quando teve a crise
psicótica. Tem alucinações auditivas, acha que o governo quer
mata-la.
Barbara permanecia na cadeira, como se estivesse catatônica.
Ao redor, havia muitas pessoas loucas, insanas.
Logo, Barbara foi sentada em uma poltrona entre os
pacientes, enquanto avaliava o local, procurando por Jack Sheppard
– o homem que havia roubado e escondido o projeto.
Enquanto isso, Javier foi ao escritório do diretor.
–– Fiquei surpreso quando você mencionou como conheceu
nossa instituição. – disse o diretor Muller.
–– Ah, sim. – falou Javier – Tivemos ótimas
recomendações da embaixada americana.
–– É engraçado... – disse o diretor – Eu liguei
para a embaixada, e eles não me disseram nada a respeito do
senhor.
Javier encarou-o.
–– Ah, sim, não viemos da América. – disse Javier
– A srta. Disiamillo estava em tratamento na França.
–– Não tente me enganar, Sr. Pérez. – disse ele –
Ou devo dizer, Javier Calmon?
Javier assustou-se.
–– Eu sei quem você é! – disse ele – E eu não
sou apenas um mero diretor de hospício.
Mais tarde, Barbara procurava por Javier, que já à devia
ter contatado-a. Foi até a sala da direção, despistando os
guardas. Lá, encontrou Javier, sentado na cadeira, sozinho, imóvel.
–– Javier... – chamou ela.
Ele não respondeu.
–– Javier? – chamou ela novamente.
Ela aproximou-se, virando a cadeira. Javier estava morto,
com a cabeça pendendo, balançando, olhos abertos de medo, a
garganta aberta numa ferida profunda da qual escorria um sangre
grosso e escuro.
–– Meu Deus! – suspirou ela, com as mãos na boca.
Então, afastou-se. Indo em direção da porta, de costas.
Porém, uma dor no abdômen, como uma grande descarga elétrica,
amoleceu seu corpo, e ela mergulhou em dor e escuridão.
THE
SPIES.
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